Pensamentos, divagações, opiniões... COISAS que de letra a letra se tornam palavras e às vezes umas frases que até poderão fazer ou não sentido. E quando não o fizerem ao menos são palavras...
quinta-feira, 1 de março de 2012
O Gentleman da minha rua!
Ontem, depois de uma ida à Nutricionista lá fui contente e alegre ao supermercado comprar tudo aquilo que poderei ter no frigorífico nos próximos tempos.
O entusiasmo e empenho em cumprir tudo à risca foi tanto que dei comigo a sair do supermercado do Corte Inglês com oito sacos cheios de mil coisas nas mãos!
Distraída e cheia de pressa porque ainda tinha que ir fazer o jantar a uns amigos do Colégio que não via há uns bons anos, nem me lembrei que, apesar da minha casa ser mesmo em frente ao Corte Inglês, teria sido bom levar o carro!!
Ao fim dos primeiros cinquenta metros a carregar tudo já bufava!
Ainda pensei "Não vais ao ginásio, aqui está o exercício para os teus braços! Bora lá Tikas!".Passados dois minutos já estava com os braços a desmoronar e a corar da força que estava a fazer. Já não queria o ginásio e desesperava por um carro ou bicicleta! Alguma coisa que me tirasse aqueles sacos das mãos!
Rapidamente a ideia do exercicio dos musculos do adeus esvaiu-se e só pensava " Que parva Ticas! Já nem a tua carteira deves segurar com a mão por causa das tuas fracas e frágeis articulações e foste logo meter estes quilos todos nos dois pulsos!"
Continuei, não havia muito mais a fazer a não ser continuar a andar como uma árvore de natal! Foi mesmo o que me senti, uma árvore de natal fora de época, a dar pontapés em todos os presentes enquanto andava e prestes a deixar cair tudo!
Muitas pessoas passaram por mim e viam a minha aflição! Bem que tentei disfarçar e parecer que estava tudo seguro e tranquilo, mas acho que a minha cara tão corada me denunciava facilmente! Muitos homens ou projecto de homens caminharam a meu lado e seguiram em frente como se a árvore de natal lhes fosse indiferente! Bem pensava que um deles podia ser um Senhor e pelo menos aliviar um bocadinho as minhas articulações! Apesar de não terem nada haver com a estupidez e insensatez da minha atitude, podiam querer ajudar...podiam também eles fazer o seu ginásio ali! ;)
Nada disso! Nem os homens engravatados, nem os miúdos da Nova, nem o dono da mercearia onde vou sempre comprar coisas me ajudou!
Para meu espanto, tive ajuda de um grande SENHOR!
Tive ajuda do grande senhor que é o arrumador da minha rua! O senhor que ainda não percebi se é Russo ou Ucraniano porque fala muito pouco e ainda mal.
O arrumador que todos os dias sempre que vem a EMEL me toca à porta para eu descer e pôr o ticket e quando vê que não estou põe por mim.
O arrumador da minha rua viu-me lá de longe e imediatamente veio a correr ter comigo! Ao mesmo tempo que abanava com a cabeça a dizer que não e dava a entender que eu era maluca em carregar tantos sacos ao mesmo tempo! Confesso que foi um enorme alívio quando o vi a correr na minha direcção! Ri-me, enquanto ele continuava a abanar a cabeça e a dizer que não!
Não descansou enquanto não me deixou dentro do elevador com todas as compras e fugiu de mim quando lhe quis dar dinheiro!
O arrumador não tinha que o fazer, como ninguém que passou por mim o tinha que fazer, mas sentiu-se mal por me ver a mim, uma menina tão carregada e atrapalhada!
O arrumador foi um Senhor e não o fez por querer dinheiro, por esperar alguma coisa em troca! Fé-lo porque é um homem com princípios e é isso que, quer se seja professor, director, engravatado, surfista ou um simples arrumador, é isso que faz a diferença!
São os nossos valores e educação que definem as nossas atitudes, a nossa segurança! Não só nos ambientes que nos são familiares mas na sociedade, com os que estão ao nosso lado e mal conhecemos!
Este Senhor pode ser um simples arrumador mas nunca me faltou ao respeito, nunca me exigiu dinheiro e sempre que aparece a EMEL o meu carro tem ticket porque ele lá o põe! Nunca lhe pedi para o fazer mas esperto viu onde morava e começou a fazê-lo!
Hoje guarda quase todos os carros da rua e tem o respeito da maioria dos moradores e a ele não me importo de dar dinheiro!Porque realmente faz daquilo o seu trabalho e cumpre-o bem!
Haja mais Senhores assim! Haja mais arrumadores assim e que continuem perto de mim porque este tipo de pessoas sabe bem ter por perto!
Estas pessoas fazem-me ver que nem tudo é mau na nossa sociedade! Estas pessoas fazem-me ter esperança e ver que onde menos esperamos ainda há valores!
Gostava e espero que um dia um filho meu, seja qual for o seu caminho e vida, seja sempre tão Senhor para os outros na rua como este simples arrumador foi para mim ontem! Serei uma mãe orgulhosa!
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A Tikinhas e o Manuel!
Obrigado Manuel por tudo o que és, por tudo o que em tempos deixaste de ser e por insistência do destino e coração continuas a ser!
Obrigado por seres aquele com quem já vivi e desvivi! Obrigado por teres sido tu aquele a quem já roguei pragas, já disse e desdisse, já jurei nunca mais ver nem falar!
Obrigado por teres sido tu aquele por quem chorei e chorei, que passei dias e meses sempre com amigas para tentar atenuar e disfarçar as saudades que tinha do teu pezinho enroscado no meu antes de adormecer! Mas tinha que ser!
Obrigado por seres aquele em que depois de raios e trovões, de quatro paredes serem destruídas e vontades desmoronadas, depois de tanto em tão pouco tempo seres aquele que passado tudo isto te descobriste a ti e eu te descobri a ti e a nós!
Obrigado por seres tu, que com o teu feitio consegues aturar o meu! Obrigado pela paciência que tens para os dias em que embirro e nem eu sei bem porque é que embirro! Obrigado pelos mimos que me dás cada vez que sinto saudades de quem não está, por me dares a mão cada vez que a voz me falha e treme! Pela segurança que me transmites quando tenho medo das perdas que a vida me vai trazer! Obrigado por me fazeres ter orgulho de ti! Por admirar o teu trabalho e empenho! Obrigado por seres a calma que o meu temperamento intempestivo e quente precisa!
Obrigado pelas gargalhadas que damos, por te rires de mim, comigo e para mim! Por sermos os primeiros a gozar um com o outro!
Obrigado por todas as vezes em que devido à minha falta de saúde o teu coração ficou pequeno mas aos meus olhos fizeste com que parece-se forte e optimista!
Obrigado pelos defeitos que tens e que tantas vezes odeio e rogo pragas e como tu dizes, mando tudo às malvas! Obrigado, sem eles já estava tudo feito e não havia o conhecer o outro, o aprender, o reconhecer e o moldarmo-nos! Sem eles, seria só eu a ter defeitos e ia ter ao meu lado a perfeição, o que seria entediante!
Obrigado por seres a minha sorte! Obrigado por todos os erros que já fizemos e havemos de fazer! Sem eles não éramos a Ticas e o Manuel! Sem eles não tínhamos crescido, não tínhamos percebido que nem tudo é como achamos e queremos mas que quando há amor, quando se gosta, tudo se muda, tudo se transforma e aperfeiçoa.
Acredito que não há namoros perfeitos, talvez nos contos de fadas onde elas vivem em coma e quando acordam, o mundo que existe e conhecem é apenas o príncipe e talvez por isso este se torna encantado, único e perfeito aos seus olhos!
Acredito que há namoros com ou mais problemas, com esta ou aquela situação mas desde que se goste, desde que se respeite, desde que se aprenda com os erros, desde que devagar se vá caminhando lado a lado e cruzando objectivos, o coração vai batendo!
O namoro é uma constante montanha russa, cheia de medos, de ansiedades, de coragem, de gritos, de gargalhadas, de adrenalina, de conseguimos abrir os olhos e tanto ver o céu como a terra, gritar de euforia, dizer asneiras, rogar pragas a quem quis ir, chorar de medo, soltar as mãos e olharmos a rir para quem está ao nosso lado! O mais extraordinário e espectacular é no fim, querer repetir, querer voltar a sentir o medo, a adrenalina mas já de uma maneira diferente! Já conhecemos e por isso a partida já é feita a sorrir, já soltamos as mãos, já não fechamos tanto os olhos, já damos as mãos um ao outro no ar a alta velocidade e rimos!
Quando gostamos e encontramos alguém que também gosta de nós da mesma maneira há que aproveitar, há que dar-lhe espaço! Há que ceder, aprender, pedir desculpa, sorrir, mimar e abraçar!
Adoro o meu Manuel! Adoro que estejas na minha vida! Adoro ter saudades tuas todos os dias! Adoro ver que cada vez que me vês chegar ao pé de ti te ris e ficas babado com a tua Tikinhas! Adoro aquilo que somos os dois agora e espero que um dia, já velhinhos, continuemos a embirrar, a mimarmo-nos, a conversar e viajar os dois juntinhos, agarradinhos e de pezinhos entrelaçados antes de adormecer! Espero que até velhinhos queiramos sempre gostar um do outro mais do que hoje e menos do que amanhã!
Venham as montanhas russas, contigo ando em todas e várias vezes! :)
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
"Bom dia Maria!"
Há uns meses atrás a empresa onde trabalho foi sujeita a um estudo de clima organizacional e desenvolvimento do capital humano, através do qual se analisou o estado de arte das práticas de recursos humano pretendendo com o resultado contribuir para alertar para a importância das temáticas relacionadas com o clima organizacional e a gestão estratégica do activo humano através da identificação de pontos fortes e oportunidades de melhoria na gestão do seu activo humano.
Os resultados foram apresentados no auditório em que estavam presentes cerca de duas centenas de trabalhadores dos Quadros Técnicos Superiores incluindo o Conselho de Administração.
Começou um debate e exposição de opiniões entre a empresa responsável pelo estudo e os empregados, foram expostas insatisfações, ideias e no fim de tudo eu, que naquela sala devia ser das mais novas, pedi para falar. Disse o que sentia desde que entrei na empresa e o que na minha opinião achava que reflectia a empresa e como tudo funciona, ou não, nela:
" Querem apostar nos jovens, nas pessoas mais novas que entram e motivá-las! Como é que o fazem, se na empresa as pessoas passam umas pelas outras e nem sequer dizem Bom dia! Todos os dias para chegar à minha sala passo pelas pessoas, meus colegas, e digo Bom Dia! Ninguém me responde ou é muito raro o contrário! Se chego a casa e não digo Bom dia ou Boa tarde, ao fim de algum tempo alguém que me chama a atenção! Aqui, não sou ninguém para chamar a atenção dos outros, muito menos de colegas que têm o dobro da minha idade! Acho que é o mínimo dos mínimos e a partir do momento em que nem o mínimo acontece entre os colaboradores, como é que querem que a empresa cresça?"
O resultado foi inesperadamente positivo, imensos aplausos, colaboradores com o dobro da minha idade a darem-me os parabéns porque realmente sentiam isso há anos e anos mas nunca algum deles tinha tido a coragem de o dizer de forma tão aberta e frontal perante todos!
Fiquei a "Maria do Bom Dia"! No dia seguinte tinha bandeiras na minha sala em que estava escrito "Bom Dia Maria!" em várias línguas, colegas vieram-me dar os bons dias pessoalmente e brincar com o acontecimento etc.
Já se passou quase um ano e ainda tenho todos os post it colados na minha janela, para que nem eu um dia, perca este hábito com que me educaram que é o de dizer Bom dia! Boa Tarde!, o de mostrar respeito pelas pessoas com quem tenho contacto e cumprimentá-las!
As minhas palavras surgiram algum efeito e as pessoas, pelo menos a mim, começaram a cumprimentar-me com "Bom dia Maria!" !
Não só ganhei o direito a receber os Bons Dias, como também já dizem o meu nome! Será que já sou pessoa aqui?!Uí!
Claro que não há bela sem senão! Passado uns dias fui chamada a atenção! Alguém me deu a entender que com o que disse toda a empresa teve conhecimento de que existia uma Maria! Alguém ficou incomodado por toda e empresa ter ficado a saber que existe uma Maria, uma Maria que se queixou perante todos que na empresa ninguém lhe dava os bons dias!
Alguém não gostou que as pessoas quisessem saber quem era a Maria, em que área trabalhava a Maria, com quem trabalhava etc e alguém quis fazer parecer que com tudo isto, a empresa podia julgar mal a área onde a Maria trabalha! ( coitados dos que acharam que iria reduzir a empresa à área onde trabalho! )
Esse alguém de uma maneira nada bonita e profissional deu-me a entender que se a Maria estava desmotivada com a empresa e o mostrou perante todos, poderia dar azo e ser o suficiente para que,com toda esta crise o Conselho decidisse por bem despedi-la!
Nesta conversa foram ditas muitas coisas e bastante mais graves e vergonhosas para quem as disse tão abertamente, coisas que alguma vez pensaria poder ouvir desse Alguém! Ouvi e guardo-as para que no tempo certo talvez as publique, não porque guardo ressentimentos mas para que percebam a mentalidade de algumas empresas! Já alguém dizia "Posso desculpar mas não esqueço! Pode acontecer outra vez e assim sei com o que conto!"
Nesse dia tive que explodir de raiva, inspirar e expirar para não perder a razão e dar razão a quem não a tem!
Hoje, passado já uns bons meses deste acontecimento, entraram no elevador onde eu já ia o "Alguém" mais três colegas e um deles diz-me com voz trocista: "A si, temos mesmo que dizer Boa tarde, caso contrário comenta isso à frente de todos e estamos tramados!!Já não se escapa de ser a Maria do Bom dia!" ao perceber que o tom não era positivo e que nem a decência de me olhar nos olhos teve, respondi educadamente e a sorrir "Gosto muito que me digam sempre Bom dia ou Boa tarde! E prefiro ser conhecida por a "Maria do Bom Dia" e que todos me cumprimentem, do que ser conhecida por outras coisas!". A safa deles foi a abertura da porta do elevador! O que acabou por ser a minha safa também, em espaços apertados podemos correr o risco que a estupidez se pegue!
Gosto de dizer Bom Dia, Boa Tarde, Boa noite! Chego de carro e digo Bom dia ao porteiro, é a primeira pessoa que vejo da empresa, é ele que controla quem entra e quem não entra e talvez por isso o meu carro esteja em segurança!
Vou picar e digo Bom Dia às recepcionistas, são a primeira imagem de qualquer pessoa que venha à Sede cruzo-me com elas todos os dias várias vezes, faria sentido não as cumprimentar? Acho que não!
Normalmente de manhã temos sempre as empregadas da limpeza ou nas salas ou nas casas de banho, cumprimento-as e às vezes até damos dois dedos da conversa típica de está tudo bem? Não está? etc. Gosto que me vejam, não como a doutora mas como uma mulher! Se tenho casa de banho limpa, se tenho a minha secretária sem pó, a elas o devo! Faria sentido não as cumprimentar? Acho que não!
Até chegar à minha sala muitas vezes passo por colegas, a maioria deles Técnicos Superiores como eu e digo Bom Dia! E em resposta fico a ouvir o ar... já ouvi tantas vezes o ar que acreditem, o ar tem som!
Acho que devem olhar para mim e pensar... É mais uma colega, que faz tanto, mais ou menos que eu! Vou responder ao Bom dia? Para quê?Não recebo mais por isso!
Esta é a mentalidade e depois querem produtividade, depois querem motivar e mover as pessoas!
As empresas não mudam, não avançam, não facturam, não evoluem porque as pessoas que as constituem são pobres de espírito, pobres de ambições, pobres de relacionamentos, pobres de princípios! Ainda acham e acreditam que basta terem o posto de trabalho e que o resto não interessa! E mentalidades quadradas geram empresas quadradas!
Os resultados foram apresentados no auditório em que estavam presentes cerca de duas centenas de trabalhadores dos Quadros Técnicos Superiores incluindo o Conselho de Administração.
Começou um debate e exposição de opiniões entre a empresa responsável pelo estudo e os empregados, foram expostas insatisfações, ideias e no fim de tudo eu, que naquela sala devia ser das mais novas, pedi para falar. Disse o que sentia desde que entrei na empresa e o que na minha opinião achava que reflectia a empresa e como tudo funciona, ou não, nela:
" Querem apostar nos jovens, nas pessoas mais novas que entram e motivá-las! Como é que o fazem, se na empresa as pessoas passam umas pelas outras e nem sequer dizem Bom dia! Todos os dias para chegar à minha sala passo pelas pessoas, meus colegas, e digo Bom Dia! Ninguém me responde ou é muito raro o contrário! Se chego a casa e não digo Bom dia ou Boa tarde, ao fim de algum tempo alguém que me chama a atenção! Aqui, não sou ninguém para chamar a atenção dos outros, muito menos de colegas que têm o dobro da minha idade! Acho que é o mínimo dos mínimos e a partir do momento em que nem o mínimo acontece entre os colaboradores, como é que querem que a empresa cresça?"
O resultado foi inesperadamente positivo, imensos aplausos, colaboradores com o dobro da minha idade a darem-me os parabéns porque realmente sentiam isso há anos e anos mas nunca algum deles tinha tido a coragem de o dizer de forma tão aberta e frontal perante todos!
Fiquei a "Maria do Bom Dia"! No dia seguinte tinha bandeiras na minha sala em que estava escrito "Bom Dia Maria!" em várias línguas, colegas vieram-me dar os bons dias pessoalmente e brincar com o acontecimento etc.
Já se passou quase um ano e ainda tenho todos os post it colados na minha janela, para que nem eu um dia, perca este hábito com que me educaram que é o de dizer Bom dia! Boa Tarde!, o de mostrar respeito pelas pessoas com quem tenho contacto e cumprimentá-las!
Não só ganhei o direito a receber os Bons Dias, como também já dizem o meu nome! Será que já sou pessoa aqui?!Uí!
Claro que não há bela sem senão! Passado uns dias fui chamada a atenção! Alguém me deu a entender que com o que disse toda a empresa teve conhecimento de que existia uma Maria! Alguém ficou incomodado por toda e empresa ter ficado a saber que existe uma Maria, uma Maria que se queixou perante todos que na empresa ninguém lhe dava os bons dias!
Alguém não gostou que as pessoas quisessem saber quem era a Maria, em que área trabalhava a Maria, com quem trabalhava etc e alguém quis fazer parecer que com tudo isto, a empresa podia julgar mal a área onde a Maria trabalha! ( coitados dos que acharam que iria reduzir a empresa à área onde trabalho! )
Esse alguém de uma maneira nada bonita e profissional deu-me a entender que se a Maria estava desmotivada com a empresa e o mostrou perante todos, poderia dar azo e ser o suficiente para que,com toda esta crise o Conselho decidisse por bem despedi-la!
Nesta conversa foram ditas muitas coisas e bastante mais graves e vergonhosas para quem as disse tão abertamente, coisas que alguma vez pensaria poder ouvir desse Alguém! Ouvi e guardo-as para que no tempo certo talvez as publique, não porque guardo ressentimentos mas para que percebam a mentalidade de algumas empresas! Já alguém dizia "Posso desculpar mas não esqueço! Pode acontecer outra vez e assim sei com o que conto!"
Nesse dia tive que explodir de raiva, inspirar e expirar para não perder a razão e dar razão a quem não a tem!
Hoje, passado já uns bons meses deste acontecimento, entraram no elevador onde eu já ia o "Alguém" mais três colegas e um deles diz-me com voz trocista: "A si, temos mesmo que dizer Boa tarde, caso contrário comenta isso à frente de todos e estamos tramados!!Já não se escapa de ser a Maria do Bom dia!" ao perceber que o tom não era positivo e que nem a decência de me olhar nos olhos teve, respondi educadamente e a sorrir "Gosto muito que me digam sempre Bom dia ou Boa tarde! E prefiro ser conhecida por a "Maria do Bom Dia" e que todos me cumprimentem, do que ser conhecida por outras coisas!". A safa deles foi a abertura da porta do elevador! O que acabou por ser a minha safa também, em espaços apertados podemos correr o risco que a estupidez se pegue!
Gosto de dizer Bom Dia, Boa Tarde, Boa noite! Chego de carro e digo Bom dia ao porteiro, é a primeira pessoa que vejo da empresa, é ele que controla quem entra e quem não entra e talvez por isso o meu carro esteja em segurança!
Vou picar e digo Bom Dia às recepcionistas, são a primeira imagem de qualquer pessoa que venha à Sede cruzo-me com elas todos os dias várias vezes, faria sentido não as cumprimentar? Acho que não!
Normalmente de manhã temos sempre as empregadas da limpeza ou nas salas ou nas casas de banho, cumprimento-as e às vezes até damos dois dedos da conversa típica de está tudo bem? Não está? etc. Gosto que me vejam, não como a doutora mas como uma mulher! Se tenho casa de banho limpa, se tenho a minha secretária sem pó, a elas o devo! Faria sentido não as cumprimentar? Acho que não!
Até chegar à minha sala muitas vezes passo por colegas, a maioria deles Técnicos Superiores como eu e digo Bom Dia! E em resposta fico a ouvir o ar... já ouvi tantas vezes o ar que acreditem, o ar tem som!
Acho que devem olhar para mim e pensar... É mais uma colega, que faz tanto, mais ou menos que eu! Vou responder ao Bom dia? Para quê?Não recebo mais por isso!
Esta é a mentalidade e depois querem produtividade, depois querem motivar e mover as pessoas!
As empresas não mudam, não avançam, não facturam, não evoluem porque as pessoas que as constituem são pobres de espírito, pobres de ambições, pobres de relacionamentos, pobres de princípios! Ainda acham e acreditam que basta terem o posto de trabalho e que o resto não interessa! E mentalidades quadradas geram empresas quadradas!
Acredito que seja difícil mudar e implementar novas culturas, novas maneiras de estar e trabalhas, principalmente culturas como esta que já estão intrínsecas e que facilmente são percebidas! Acredito que nada se muda no imediato e que tudo leva o seu tempo e tem um processo!
Quando esse processo não avança, quando qualquer pequeno passo que se tente dar não é dado porque temos sempre alguém que nos agarra o pé e nos abana, fazendo com que recuemos ,então acredito que não são só as empresas que vão à falência, que não são produtivas, que não ganham prémios de prestigio etc. As pessoas que nelas trabalham não se apercebem mas vão-se destruindo, automatizando e ficam pobres de espírito!
As empresas são o reflexo das pessoas que delas fazem parte! Por isso temos o exemplo da Sicasal, onde vemos que há uma empresa, onde realmente existe um grupo de pessoas a lutarem por um objectivo: continuarem todos a trabalhar e contribuir para que a empresa e por isso eles também, consigam existir, produzir, criar relações e ter lucros!
Pouco percebo de números mas de pessoas e relações entre pessoas tenho umas luzes e para mim, é urgente mudar as mentalidades!! É urgente estimular as pessoas à mudança, à cooperação, ao relacionamento interpessoal, à comunicação! É urgente que em todas as empresas se diga BOM DIA! e inacreditável que ainda existam algumas em que isto não acontece!
Eu cá, vou continuar com os meus Bons Dias e Boas Tardes sempre com a esperança que talvez um dia percebam que o que pretendia não era atenção nem protagonismo era o mínimo dos mínimos necessários para um ambiente saudável! Talvez um dia se comece a ouvir "Bom dia Paulo!" "Bom dia Carolina!" "Boa Tarde Margarida!"...e as pessoas se olhem nos olhos, sorriam e até lhes apeteça mais ir trabalhar!
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Sejam Parvos! ;)
Há uns meses para cá que ando estranha... Ando a sentir demasiada e efusivamente as coisas. Tanto grito umas palavras soltas e roucas que aos meus ouvidos soam como um canto, como choro de lágrimas gordinhas daquelas que molham folhas como gotas de chuva!
Há uns meses para cá que posso dizer que ando mais feliz, há uns meses para cá que SINTO! Que não me limito a passar pelas coisas, pelas pessoas , pelas situações! Há uns meses para cá o que faço é com o coração e sendo com o coração acaba ele também por me tocar e tomar conta de mim.
Descobri que não são as minhas hormonas que andam desreguladas e por isso não são elas que me fazem ter borboletas e remoinhos na barriga. Descobri que as lágrimas que caiem são de felicidade, que os arrepios e sorrisos rasgados que tenho não são porque estou maluca, devem-se ao simples facto de deixar o coração bater, de lhe dar o devido espaço e valor merecido!
Sentir é estranho, sentir é inato! Não controlamos o que, quando e como sentimos. Está em nós, corre-nos no sangue, preenche-nos o corpo e alimenta-nos a alma!
Um sentimento reprimido faz com que o coração fique apertado e um coração apertado é como um prisioneiro na cela! Vive constantemente ansioso por liberdade mas sabe que tão cedo não a poderá ter! Quando finalmente a tem, quando consegue aquilo pelo qual tanto esperou e desesperou, tem medo! Tem medo da liberdade que o espera! Tem medo dos contratempos que terá, dos olhares, da insegurança e incerteza! Tem medo da rejeição, de se entregar e perder, de se mostrar e ser julgado! Tem medo!
Nós não estamos presos mas às vezes fazemos pior, somos os arquitectos da nossa própria cela! Construímos a nossa torre, como nos contos, e não nos permitimos SENTIR! Preferimos ficar pelo mais cómodo, pelo que pouco trabalho dará, pelo que sabemos ou achamos que conseguimos controlar.
Porque SENTIR implica sairmos do nosso conforto, sentir põe-nos à prova em todos os aspectos e sentidos! SENTIR faz-nos irracionais e parvos! Mas digo-vos que prefiro ser parva todos os dias e viver a parvoíce de explodir de alegria, chorar de raiva, saudades e felicidade, cantar de apaixonada que estou, falar com um sem abrigo e não ter "vergonha", sentir borboletas na barriga e adormecer cada dia de maneira diferente, do que viver qual máquina formatada para fazer e sentir todos os dias a mesma coisa!
Há que sentir! Há que odiar para saber o que é amar! Há que rejeitar e ser rejeitado para se dar valor ao Ter! Há que DAR para saber o quão bom é receber! Há que chorar para quando sorrirmos o façamos às gargalhadas! Há que ter saudades para dar valor ao Agora! Há que dar a outros uma parte de nós para sabermos o valor dos que temos ao nosso lado! Há que perder para saber viver o que ainda se Tem! Há que ter o coração apertadinho e pequenino para que, quando este se encher e ficar gigante consigamos perceber o quão realmente bonito e extraordinário é isto do amor! Do amor em toda a sua plenitude e em todas as suas vertentes! O amor à família, aos amigos, o amor ao nosso mais que tudo, o amor ao próximo!
SINTAM! VIVAM! Façam por sentir esta vida que é a nossa e não se repete! É AGORA que a podemos Sentir!
Larguem os vosso medos e sejam parvos todos os dias! Vai valer a pena!
Há uns meses para cá que posso dizer que ando mais feliz, há uns meses para cá que SINTO! Que não me limito a passar pelas coisas, pelas pessoas , pelas situações! Há uns meses para cá o que faço é com o coração e sendo com o coração acaba ele também por me tocar e tomar conta de mim.
Descobri que não são as minhas hormonas que andam desreguladas e por isso não são elas que me fazem ter borboletas e remoinhos na barriga. Descobri que as lágrimas que caiem são de felicidade, que os arrepios e sorrisos rasgados que tenho não são porque estou maluca, devem-se ao simples facto de deixar o coração bater, de lhe dar o devido espaço e valor merecido!
Sentir é estranho, sentir é inato! Não controlamos o que, quando e como sentimos. Está em nós, corre-nos no sangue, preenche-nos o corpo e alimenta-nos a alma!
Um sentimento reprimido faz com que o coração fique apertado e um coração apertado é como um prisioneiro na cela! Vive constantemente ansioso por liberdade mas sabe que tão cedo não a poderá ter! Quando finalmente a tem, quando consegue aquilo pelo qual tanto esperou e desesperou, tem medo! Tem medo da liberdade que o espera! Tem medo dos contratempos que terá, dos olhares, da insegurança e incerteza! Tem medo da rejeição, de se entregar e perder, de se mostrar e ser julgado! Tem medo!
Nós não estamos presos mas às vezes fazemos pior, somos os arquitectos da nossa própria cela! Construímos a nossa torre, como nos contos, e não nos permitimos SENTIR! Preferimos ficar pelo mais cómodo, pelo que pouco trabalho dará, pelo que sabemos ou achamos que conseguimos controlar.
Porque SENTIR implica sairmos do nosso conforto, sentir põe-nos à prova em todos os aspectos e sentidos! SENTIR faz-nos irracionais e parvos! Mas digo-vos que prefiro ser parva todos os dias e viver a parvoíce de explodir de alegria, chorar de raiva, saudades e felicidade, cantar de apaixonada que estou, falar com um sem abrigo e não ter "vergonha", sentir borboletas na barriga e adormecer cada dia de maneira diferente, do que viver qual máquina formatada para fazer e sentir todos os dias a mesma coisa!
Há que sentir! Há que odiar para saber o que é amar! Há que rejeitar e ser rejeitado para se dar valor ao Ter! Há que DAR para saber o quão bom é receber! Há que chorar para quando sorrirmos o façamos às gargalhadas! Há que ter saudades para dar valor ao Agora! Há que dar a outros uma parte de nós para sabermos o valor dos que temos ao nosso lado! Há que perder para saber viver o que ainda se Tem! Há que ter o coração apertadinho e pequenino para que, quando este se encher e ficar gigante consigamos perceber o quão realmente bonito e extraordinário é isto do amor! Do amor em toda a sua plenitude e em todas as suas vertentes! O amor à família, aos amigos, o amor ao nosso mais que tudo, o amor ao próximo!
SINTAM! VIVAM! Façam por sentir esta vida que é a nossa e não se repete! É AGORA que a podemos Sentir!
Larguem os vosso medos e sejam parvos todos os dias! Vai valer a pena!
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Volta General e tráz bengalas!
Já não somos um exército, somos soldados a tentar imitar e mal o que foi um grande General!
Somos soldados individualistas, a querer conquistar tudo, a querer guardar o máximo de armas possíveis e munições para a guerra! Mesmo quando não existe nem se avista qualquer guerra, a não ser a da vida!
A guerra da vida que a muitos implica ganância, egoísmo, o querer ter por ter! O não conseguir ver os outros terem, se os outros têm é sinal que eu podia ter tido e não tenho, por isso então há que ter inveja. Há que não querer que o outro tenha mais do que o que tem! Há que querer ter vida de rei quando servente apenas sou e ficar corroído de inveja sempre que outro tem!
Por isso, a nova filosofia deste servente é de que quando tenho, tranco tudo para só eu usar, guardo todos os mantimentos comigo e levo a chave para que mais ninguém se alimente daquilo que é meu!
Levo a chave de uma porta que não me pertence! Porque quero, porque a inveja, o querer, a ambição desmedida me faz ser assim egoísta! A chave vai comigo e com ela o meu corpo pobre de espírito!
Este meu vazio de valores faz com que eu sinta que assim, com essa chave, com atitudes menos dignas talvez me vejam não como um mero servente mas como o General! O General da Chave!
Pobre deste servente que acha que uma chave lhe dará o poder. Talvez durante horas terá o poder nalguma coisa e se possa sentir alguém e o seu espírito se alimente de coisas podres e tenha uma fusão de sentimentos a saltarem-lhe no Ego!
As coisas podres duram pouco e passado algum tempo cheiram mal e como tudo o que cheira mal quando ingerido causa indisposição!
Quem quer passar de servente a General sem ter passado por soldado, sem saber o que é um exército, sem conseguir perceber que num exército quando um se magoa o outro está lá para ajudar! Quando um soldado está mais enfraquecido se calhar tem direito a mais pão do que um que está bem fisicamente! Que um soldado mesmo coxo com uma bengala consegue cozinhar, consegue curar os outros, consegue nem que seja conversar e dar alento!
Quando um soldado fica a pensar que o outro, só porque é manco de uma perna vai combater menos e comer mais é porque nem merece ir para a guerra! Não sabe dar valor ao que tem, a ânsia de ter mais e mais e só para ele, é maior que o companheirismo e espírito de entreajuda!
O soldado que pensa e age assim, no fim da guerra, se sobreviver é o primeiro a cair! Não porque os outros lhe voltam as costas mas porque os outros sempre fizeram pela vida deles, sempre combateram e lutaram por eles e pelos outros! Feridos, magoados, revoltados, tristes vão conseguir seguir em frente porque com eles nunca levaram uma chave! Nunca trancaram nada e sempre partilharam!
Este servente que por vezes acha que é soldado e sonha que é General, um dia vai perceber que optou por viver a tentar controlar a vida dos outros e a fazer com que estes não tivessem mais do que ele! Nesse dia vai perceber, que os outros viveram a vida deles, com menos ou com mais, viveram a vida deles! Com ajudas ou sem ajudas conseguiram fazer alguma coisa por eles! Que com mais ou menos saúde mal o sol nascia estavam prontos e entregavam-se ao que faziam!
Vai perceber que Nunca o General em vida tiraria o apoio àqueles a quem em tempos sempre deu! Nunca o General em vida permitia que um dos seus soldados andasse coxo sem bengala quando ele tinha mil bengalas para lhe dar! Nunca o General em vida permitia que lhe tirassem o poder e que um simples soldado ou servente tomasse as rédeas do exército! Nunca o General permitia que os seus soldados não o olhassem nos olhos para o informarem das noticias boas como das baixas e necessidades!
Tal desordem seria o fim de guerra, tal desordem seria a morte de todo o exercito e seria uma morte sem brio, sem valentia, sem dignidade! Seria a morte de um futuro promissor exército, poderoso e unido que não morreu na luta digna simplesmente acabou por deserdar pois já não acreditava na causa nem no líder!
Não conseguimos voltar a ter o General que admiramos e respeitamos mas podemos pelo menos tentar que os soldados feridos e coxos tenham as bengalas que precisem e se continuem a sentir parte do exército! Seja a combaterem, seja a serem simplesmente pais e a estarem em casa com as famílias, seja a por as cartas no correio, seja a serem apenas eles soldados, feridos ou não, são o exército!
Num exército o General só é enterrado vivo se os soldados deixarem e nós não vamos deixar! Nós não queremos deserdar, queremos criar e inovar e se possivel evitar a guerra mas sabemos que com ou sem guerra o general sem os soldados não existe e os soldados sem os serventes também não! Se cada um estiver no seu lugar, se cada um se respeitar e for digno do que é e faz, se pensarmos no NÓS todos marchamos no mesmo sentido e de sorriso na cara!
Haja alguma coisa que nos una a todos, haja algo de bonito e transparente pois onde há transparência há verdade e com verdade tudo se constrói, tudo anda para a frente e muitas guerras se evitam!
Haja exército!Hajam bengalas nas mãos de quem permite que estas sejam usadas para alguém ser mais e melhor!Hajam bengalas nas mãos de espíritos abertos e e corações amigos!
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Aquele Abraço!
Não sei como vos hei-de explicar o que sinto e que desde ontem me tem acompanhado! Foi sem dúvida aquele abraço que me marcou, depois de quase me partir os ossos tal foi a força e intensidade com que foi dado ,chegou-me ao coração e teima em não sair! Aquele abraço está em mim, fez-me sentir um turbilhão de sentimentos e emoções! Fez-me deitar uma lágrima ontem à noite, adormecer a pensar nele e a acordar e por a música bem alto no carro e cantar de felicidade e entusiasmo!
Dei por mim ainda a sentir a força daquele abraço, a recordar o sorriso com que foi dado e percebi que aquele abraço me deu garra, coragem e a motivação que precisava e que se calhar há muito não recebia! Aquele abraço chegou e ficou no meu coração, está nos meus pensamentos, está nas minhas ideias e continua a apertar-me as costelas e todos os ossos que tenho até ao pescoço! Aquele abraço fez-me lembrar os que dava à minha avó que eram de tal maneira fortes que só acabavam quando me dizia "Olhe que me parte o pescoço!".
Aquele abraço foi um abraço diferente mas tão especial, tão apertadinho, tão sentido! Aquele abraço foi-me dado por um "pretinho"! Aquele pretinho com os seus seis ou oito anos viu-me duas vezes quando através do Ajudar Uma Família fomos entregar um esquentador , frigorífico e brinquedos!
Aquele "pretinho" faz parte de uma família de cinco irmãos e a irmã de 11 anos morreu no dia de Natal. Aquele "pretinho" e os irmãos ainda acham que é uma brincadeira da mãe, que isso não aconteceu e a irmã vai deixar de ser só a fotografia que têm na sala e um dia vai aparecer para voltarem a brincar! Ou acham que vão acordar de manhã e ela está a dormir na cama dela! Este "pretinho" e os irmãos estão mais tristes e cabisbaixos do que há 1 mês atrás quando lá fui mas continuam a sorrir!
Continuam a querer estudar e ser alguém na vida! Quando chegámos o mais velho estava a ajudar um dos mais novos a estudar e mesmo com a entrega dos bilhetes para o Jardim Zoológico entre outros brinquedos, não tiraram os olhos dos livros! Este "pretinho" mais velho está na fase de entrar nos grupos de rua, de passar tempo sem nada de útil para fazer. De óptimo aluno passou para um aluno com mais negativas que positivas e agora tem uma cara triste e virada para dentro! A mãe pediu-nos ajuda, queria que ele fosse alguém e que estudasse para vir a ter uma vida melhor do que a que ela lhe proporciona! Decidimos então que uma vez por semana o "pretinho" mais velho vai ter explicações comigo pelo menos a três disciplinas! Caso melhor as notas como prémio irão todos montar a cavalo e ter um dia no campo! Acredito que vamos conseguir, acredito que este "pretinho" que apenas com 14 anos protege a mãe e ajuda a educar os irmãos vai vingar e ser alguém na vida, JÁ o É! Pode ainda não se ter apercebido mas devagar irá perceber que tem um potencial enorme! Todos temos!
Assistimos a um teatro de fantoches inesperado e inventado na hora pelos "pretinhos" mais novos, fizemos magia com um jogo e chegou a hora de nos irmos embora...foi aí que recebi Aquele Abraço que ainda me acompanha hoje enquanto escrevo isto!
Foi ai que aquele "pretinho" me agarrou e apertou com tanta tanta força, com tanta vontade que ao mesmo tempo que lhe dizia "Assim vou emagrecer uns quantos centímetros" o que me apetecia dizer era "Não descoles que está a saber tão bem!".
Ainda nos rimos todos e da boca do querido "pretinho" saíram palavras que me tocaram " - Mãe vou com a Ticas!" . Bem sei que foram ditas como todas as crianças a quem oferecermos chocolates ou rebuçados. Querem sempre ir de onde vem a diversão e os presentes. Mesmo estando consciente disso fiquei contente e tocou-me no coração! É bom ver que já não sou uma simples pessoa que através da ajuda de tantos lhes vai entregar mimos. Mas mais do estas palavras, aquele abraço tão querido, tão sentido, tão ingénuo e livre de tudo sensibilizou-me e encheu-me de tudo o que podemos ter de bom! Foi uma overdose de sentimentos puros!
Não o levei comigo mas um dia hei-de o levar a ele e aos irmãos, e a mais famílias a montarem a cavalo, ao teatro, à Torre de Belém, ao Palácio de Sintra, a um Centro de Pessoas com Deficiência, a um Lar de Idosos e a tudo o que conseguir que sirva para eles abrirem horizontes, aprenderem e perceberem que têm um mundo para conquistar e uma vida para viver!
Mais bonito seria se não fosse só eu, se fosses tu, se fossem eles, se fossemos todos NÓS! Bonito seria que todos nós largássemos os nossos medos, as nossas prisões e nos aventurássemos nisto de ajudar alguém. Extraordinário seria todos alinharmos nisto de nos deixarmos marcar e tocar pelo outro e conseguirmos retribuir não só com donativos mas o que de melhor temos para dar, o nosso coração!
Já Madre Teresa de Calcutá o dizia " A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração."
Talvez por isso eu os chame de "pretinhos" sem discriminação, sem qualquer desrespeito, digo "pretinhos" do fundo do coração, digo "pretinhos" como entre namorados se tratam por " baby, gorda, xuxu "etc. O que interessa é o que vai no coração, é o que sentimos e o que fazemos com isso.
Se formos pela cor da pele eu ai estou tramada e também poderiam eles não gostar de mim e chamarem-me "pintinhas", "branca às pintas" etc. Numa brincadeira que fiz com eles em que tínhamos que dar festinhas nos braços perguntaram-me o que é que eu tinha na pele? A olharem de maneira desconfiada respondi o que também digo aos meus primos "São caganitas de moscas! Ficam aqui e depois não saem!" A cara deles de espanto e nojo foi de chorar a rir! Para não continuarem a olhar para mim como se fosse um extraterrestre lá lhes tentei explicar melhor o que eram as sardas, continuaram a olhar para mim desconfiados e a mexer na minha pele!
Passado uns segundos já se tinham esquecido que a minha pele era estranha, que para além de ser tão branca como a neve ainda tinha umas pintas castanhas espalhadas por todo o lado! Podiam ter desistido de me agarrar e dar beijinhos eu que tenho uma pele tão estranha e nunca vista por eles, mas não...continuaram e a brincadeira seguiu. Posso concluir aqui que como mais uma vez Madre Teresa de Calcutá dizia "Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las." e é tão bom amar que quantos mais amarmos mais somos amados!
Eu ainda sinto AQUELE ABRAÇO! Eu ainda sinto aquele abraço como se me corresse nas veias e aquele abraço está-me a encher de ideias para o Ajudar Uma Família ser melhor, mais completo e chegar ao coração das famílias de tantas e diversas maneiras! Aquele abraço encheu-me de força e optimismo e está a gerar em mim uma vontade enorme de conseguir, como ele, dar um abraço tão bonito que toque assim alguém também!
Convido-os a todos a virem, a participarem, a experimentarem ser tocados no coração desta maneira! Vale mesmo a pena acreditem! Obrigado a todos os que têm ajudado e continuam a dar-nos mimos! Obrigado por não só Ajudarem Uma Família como me proporcionarem momentos como este e me ajudarem a ser uma pessoa melhor! OBRIGADO do fundo do coração!
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Noite de Fados Ajudar Uma Família
Boa noite a todos!
É de coração cheio e a bater rápido que digo BOA NOITE a todos!
Talvez com uma lágrima escondida no canto do olho e a fazer um esforço enorne para não me comover, mas a verdade é que estou muito comovida e sensibilizada por estarem todos aqui hoje!
Obrigado! Muito obrigado por hoje estarem a dar ao Ajudar Uma Família, aquilo que ninguém pode comprar, o VOSSO TEMPO!
O Ajudar uma Família começou por ser um Evento no Facebook em que inicialmente sugeri aos meus amigos que neste natal nos jantares de natal não trocássemos os presentes do amigo secreto e com dinheiro dos presentes ajudarmos uma família! Tirávamos uma fotografia de grupo e quando fossemos entregar, não o dinheiro, mas o que fizesse falta, entregávamos a fotografia de quem ofereceu.
Rapidamente os amigos aderiram, pessoas que não conhecia aderiram, a Isabel Lopo de Carvalho deu-me o contacto da Francisca Pedroso que trabalha de perto com muitas famílias do Bairro da Serafina, em Shoenstat a irmã Rosana deu-me o contacto com assistentes socias de Camarate. O Bernado Villar criou a imagem que nos define hoje e Desde ai, e Graças a Deus não parámos de Ajudar Famílias!
Numa semana entregámos dois beliches com colchões e edredões conseguidos euro a euro! O que é que nos diferencia? Quem ajuda com 1euros, 5euros, 100 euros, o que for, recebe sempre as fotografias da entrega daquilo que se comprou com o seu contributo, o recibo e uma pequena descrição da família e da entrega! :)
Ao mesmo tempo publicamos na nossa página do Facebook as fotografias e tem sido espectacular ver que as pessoas ao olharem, ao conhecerem as famílias através de várias imagens começam a querer ajudar, começam a oferecer roupa, bilhetes para o cinema, brinquedos, livros etc. Tem sido um dos meses mais bonitos da minha vida!
Desde os meus 5 anos que a minha irmã e eu ficámos sem pais. Uma morte nada agradável mas que fez com que fossemos viver com os meus avós para um quinta perto de Coimbra, a Graciosa. Tivemos uma vida óptima, uma educação espectacular, muitos mimos, acabámos por ganhar uns pais extraordinários e o carinho especial de uma família tão grande como a nossa. Hoje tudo o que sou devo-o aos meus avós, aos meus tios, aos meus primos que desde a altura em que era pequenina foram preenchendo o meu coração, cada um à sua maneira.
Graças a Deus somos uma família que não passa dificuldades mas não é por isso que não dou valor àquilo que tenho e não tenho. Não preciso de deixar de ter uma refeição na mesa para lhe dar valor. Sempre fui educada a dizer "tenho vontade de comer alguma coisa" do que "tenho fome", porque como a minha avó Zé dizia "Graças a Deus nunca passou fome e nem sonha o que isso é!". Fui educada a evitar o "não gosto" e a ficar na mesa o tempo que fosse preciso até acabar! Acreditem que não foi fácil, era sempre a carroça do lixo, como chamávamos lá em casa ao mais lento a almoçar ou jantar.
Sempre odiei comer e durante muito tempo andei a esconder pela casa ( que é bastante grande) todos os pães que tinha de lanchar. Nem com a casa e o seu tamanho enorme me safei, fui apanhada uma série de vezes e castigada também. Até que um dia prometi à minha avó que não o fazia mais e realmente não o fiz! Mas os pães escondidos já tinham sido tantos que um dia lá encontrou um pela casa...achou que a promessa tinha sido quebrada e que eu continuava sem dar valor ao que tantos nem sonham que existe.
Quando cheguei a casa tinha uma papa de pão com bolor e leita para lanchar! Foi comida até ao fim! Na altura chorei, roguei pragas à minha avó e devo-a ter ofendido em pensamentos... hoje percebo o desespero em que devia estar em relação ao problema Ticas e os Pães!
Agradeço-lhe imenso hoje, realmente não somos ninguém para despediçar aquilo que outros não têm!
Não quero que fiquem a pensar que a minha avó é tudo aquilo que enquanto comia a super papa de bolor fui pensando, a minha avó Zé e o Avõ Fernando sao de certeza os causadores do meu lado solidário, a origem do Ajudar Uma Família!
Desde pequena que os vejo a serem solidários, a fazerem de uma quinta uma aldeia, onde viviam caseiros, ciganos e quem precisasse. Sempre os vi a adoptarem na família como seus aqueles que mais precisavam, sempre os vi a darem o seu tempo e companhia a outros que estão sozinhos! Lembro-me que durante muitos anos no verão em São Martinho, havia um dia em que 5 ou 6 rapazes da Casa do Gaiato iam almoçar a nossa casa, na altura não percebia muito ben o porquê mas achava giro!
Os dois sempre foram muito generosos e nunca se fizeram valer do facto de serem Marquezes para se vanglorizarem ou gabarem, pelo contrário.
Um dia em Monsanto quando estava com o Manuel a descer passámos pela rua com o nome do meu avô. Estávamos a tirar uma fotografia quando do nada, uma senhora veio ter connosco e sem saber que eu era neta, a chorar diz-nos " O Senhor Marquêz não devia ter o nome numa rua, devia ter uma estátua por tudo o que fez por tantos aqui! O meu marido e eu ficámos sem nada e o Senhor Marquês vendeu-nos um terreno em troca do nosso trabalho na Quinta do Valongo. Sempre que o meu marido lá ia a casa era recebido com um pão e chouriçõ e o Senhor Marquêz só começava a falar de trabalho depois dele ter comido! Graças a ele conseguimos seguir a nossa vida!"
Isto marcou-me, deixou-me orgulhosa e ainda mais pois quando contei ao meu avô, ele na sua humildade, sentido de humor e a querer fugir ao assunto, respondeu "Era gira? Hummm Ela quer é conhecer-me!" e riu-se.
Gostava de um dia conseguir ajudar tantos desta maneira humilde, gostava de um dia com o pouco que tenho conseguir ajudar e melhorar a vida de tantos, continuar esta obra de vida que os dois me transmitiram e deixaram!
Realmente acho que com o nosso pouco conseguimos imenso para quem tem tão pouco, com um simples gesto fazemos de uma tarde normal, Natal em tantas famílias!
É bom ir a guiar no carro e chorar de alegria e euforia cada vez que recebo uma mensagem a dizer "quero doar", "quero ajudar", "tenho roupas" etc., ainda somos muitos a querer ajudar, ainda somos muitos a acreditar, a confiar, a agir! Quando queremos alguma coisa não há crise que nos derrube e conseguimos todos juntos coisas espectaculares!
Este mês tem sido um dos melhores da minha vida graças a todos vocês que contribuíram para que , já algumas famílias tenham recebido bastantes mimos. Venham, experimentem vir entregar, convido todos a virem dar um sorriso a estas famílias, a ver a alegria e entusiasmo com que somos recebidos em cada casa! As saudades com que ficam depois de sairem, a vontade de lá voltar para dar mais um mimo, para oferecer outra coisa, para levar lanternas e luz, para ver que realmente aquilo que já tinhamos entregue antes está agora a dar frutos!
Tem sido único, inesperado e principalmente muito muito bonito!
Quero hoje agradecer a todos os fadistas que prontamente ofereceram a voz para Ajudar Uma Fanília, aos guitarristas que os acompanham. À Joca Metalomecânica que ofereceu os vinhos, ao Sector Mais que ofereceu os refrigerantes e cerveja, ao Gente Divertida Catering que ofereceu as sobremesas e ao Aerlis café que ofereceu os cafés.
Ao Pedro Ferreira de Carvalho a quem sugeri uns fadinhos e tornou esta noite possível!MUITO OBRIGADO!
Obrigado a todos os que tornaram esta noite possível, não só os que estão vivos e entre nós mas também aqueles que me acompanham sempre estejam onde estiverem.
Obrigado por fazerem de mim e de tantas famílias mais felizes, acreditem que estão nos nossos corações!
E como o fado diz "É tão bom ser pequenino, ter pai ter mãe ter avós, ter esperança no destino e ter quem goste de nós!
BORA TER ESPERANÇA NO DESTINO E AJUDAR UMA FAMÍLIA! venham os fados!
Ticas Graciosa 14-12-2011
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