sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

All In no Amor!

O ano de 2012 acabou bem e felizmente 2013 continua no seguimento do irmão mais novo! :)

Não pensei em desejos para pedir em cada passa engolida em seco e à pressa! Não parei nem me perdi calmamente em pensamentos para rever 2012 e projectar 2013!
Ao contrário de anos anteriores em que naturalmente relembrava os momentos mais marcantes e idealizava algo novo, desta vez distrai-me e entrei em 2013 sem fazer o cadastro de 2012!

Ainda assim e muito ao de leve nestes primeiros dias do novo ano, entre mil coisas a acontecerem ao mesmo tempos fui-me apercebendo dos meus desejos para 2013!
São tão simples como: Injecções de Saúde, Músicas de Amor e um Carregamento Geral e Intenso de Auto-Estima!

Este ano precisa de muita Auto-Estima em todos os seus dias para contrariar o número do azar que carrega consigo e nos irá acompanhar!
É urgente gostarmos de nós! É preciso mimarmo-nos! Tentármos saber o que valemos e dármos festinhas às nossas valências para que se tornem dons!
Quando tal acontece temos o nosso fogo de artificio, as nossas doze badaladas e salto com o pé direito! Temos aquilo em que somos bons, descobrimos o caminho!
É raro atingirmos o fogo de artificio e podemos achar que é impossível! Desmotivados mas não desmoralizados aparece uma crise e uma troika que nos deita mais abaixo e nos faz tender para a certeza que já não será possível encontrarmos o nosso lugar aqui! Mas nada é inatingível e para não o ser, o mínimo pedido é acreditarmos que somos mais do que um papel, mais do que alguém insinue que somos! Seja naquilo que ambicionamos ou seja no que tiver que ser feito, valemos imenso! 
Gostármos de nós neste ano de 2013 passará pela árdua tarefa de nos pormos á prova constante e diariamente caso contrário, seremos inseguros e a insegurança trará a dúvida, solidão, mesquinhez e rapidamente nos tornaremos imagem dos outros. Perderemos a nossa identidade, o nosso rumo e acabaremos por ser somente rochas onde rapida e ferozmente correrão e passarão águas frias de outros rios que não os nossos!
Se não tivermos a certeza do que somos e valemos para nós e para os que amamos entramos em remoinhos superficiais mas perigosamente corrosivos!
E aqui é que entra o Amor!
O Amor ao próximo! Ao que ñão conhecemos e se cruza na rua perdido! Ao que divide a almofada ao nosso lado, ao que nos dá o pão, nos empresta azeite quando este escassa,  nos ajuda a carregar os sacos das compras até casa quando nos vê a corar de esforço. O amor da melhor amiga, do amigo chato mas divertido do colega que connosco passa o seu dia e não nos escolheu para ter ali a toda a hora ao lado dele.
O amor ao que todos os dias e se alegra com o nosso olhar entusiasta e nos dá o seu conforto quando a lágrima em esforço para não se dar a conhecer acaba por escorrer...
Amor aos que nos amam e que mesmo longe sabemos que estão!
O Amor em todas as suas dimensões mas que o seja sempre verdadeiro e não se encontre em lojas asiáticas ou indianas. O AMOR!
Vamos precisar dele aos litros!
Só com ele famílias ultrapassarão a falta, o medo a angústia e desespero!
Só com amor conseguiremos perdoar divídas ou com quem as fez lutar para as liquidar!
Só o amor tolerará a ausência impulsionada pela necessidade de desbravar outras fronteiras na procura de mais e melhor! Serão raros os Amores que sobreviverão às constantes saudades e irão contar-se pelos dedos de uma mão aqueles que aceitarão a distância como uma ponte cheia de sacrificios mas necessária para um futuro melhor!
Só o amor conseguirá entender e perceber que quando se ama há vários tipos de amor e cada um se manifesta à sua maneira e com o seu tempo! E quando se ama o próximo fala-se, conversa-se, compreende-se e perdoa-se! Quando se ama não criamos problemas aos que nos estão próximos quando a vida por si só já se encarrega de o fazer.
Vai ser um ano de viagens onde não será fácil partir nem ficar! Um ano de encontros e desencontros! Ganhos e perdas mas não há crise que nos tire o amor que podemos dar e receber!
Se deixarmos que o amor por nós e pelos outros seja corrumpido por inseguranças e invejas perdemos tempo, desperdiçamos energias e prejúdicamos a nossa saúde! Tornamo-nos anões rodeados de pequenez, meros grãos de areia no deserto que à miníma tempestade voam para outro oásis e são esquecidos!
Para estármos bem precisamos da saúde mas se não estivermos tranquilos e se não formos amados  rapidamente a saúde nos deixa entregues à merce de doenças!
Somos humanos feitos de nervos, músculos, articulações, batimentos cardiacos que imediatamente respondem ao nosso cérebro! Ora, se este desperdiçar a maior parte das suas capacidades e neurónios com insignificâncias ou revoltas, a guerra interior será lançada e ficarão apenas as baixas e feridas, o desânimo, a tristeza e depressão.
Se não cuidármos e gostármos de nós será extremamente difícil dármo-nos aos outros e sermos saudáveis!
O Amor vence tudo e só quem nunca amou não perceberá. Aposto convictamente no Amor como base para conseguirmos tudo o resto!
Aposto no amor que nos dará a segurança, que venha o que vier e vá para onde for está connosco!
Venha um 2013 com toneladas, carragas, paletes e resmas de Auto-Estima para conseguirmos dar o nosso Amor da melhor maneira e conseguirmos recebê-lo, partilhá-lo e respirármos saúde!!
Venha o que vier se nos mantivermos juntos e descartármos a pequenez exterior certamente seremos grandes! Certamente marcaremos a diferença e de sorriso em sorriso hão-de ir aparecendo gargalhadas!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

É impossivel ser sempre forte!

Há dez anos, antes de ser operada nos Estado Unidos tive durante um ano de médico em médico. Inicialmente para descobrir o que tinha, depois para saber o que se poderia fazer ? Onde? Quando? Quem? Como? Quais as consequências?
Foi um ano tramado mas que Graças a Deus com contactos, muito amor e paciência conseguimos a melhor solução com um dos melhores médicos e felizmente tudo se resolveu da maneira mais prática e simples.

Desse ano gravo muitas memórias. Nunca me hei-de esquecer dos imensos exames que fiz e do desconfortável que eram. Tive a sorte de apanhar enfermeiros e médicos competentes mas não me livrei das exceções.
Uma das exceções marcou-me! Ainda hoje me agonia e me recordo como se fosse hoje! A falta de cuidados que tiveram, o despreendimento com que fui tratada e a sensação de me sentir mais um bocado de carne com olhos no meio de tantos foi surreal!
Nesse dia escrevi no livro de reclamações! Reclamei o meu direito de enquanto doente ser pessoa e merecer ser tratada com todo o respeito e dignidade. Acredito que seja complicado para estes profissionais não tratarem o sofrimento por tu e facilmente caírem no desleixo de o desprazerem e esquecerem que cada doente é um doente!
Cada doença é uma doença e acima de tudo somos todos pessoas com sentimentos que merecem ser bem tratadas e honradas!
(Uma pessoa que tenha elegido como profissão ajudar e tratar o outro não terá que pôr paixão, empenho e coração nas suas ações? 
-"A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração." Madre Teresa de Calcutá)

Feita a reclamação, mal saí do hospital recebo um telefonema da minha avó! Ainda ressentida do exame a minha voz deve ter soado baixinho e do outro lado começou um raspanete para acordar e ir para as aulas! Imediatamente soltou-se em mim um choro enorme sem fim!
Entre soluços e nervos tentei explicar que não estava a dormir, que não estava nas aulas! Que tinha acabado de fazer um exame muito desconfortável e não sendo suficiente ainda piorou quando abriram a porta que dava para a sala de espera dos exames!
Chorava ali agarrada ao telemóvel! De cansaço de tantos exames, de saturação de tanta procura! De querer respeito e alguém ali comigo que me desse a mão e me limpasse as lágrimas! Alguém que sem culpa do que tinha me consolasse!
Do outro lado, ficou um silêncio tremido e arrependido. Aceitou a minha revolta sem me exigir menos indignação e mais respeito porque apesar de ser exigente e severa percebeu que a minha brutidão e revolta não eram com ela, a minha desilusão e raiva não eram para Ela. Sentiu-se impotente no meu sofrimento e permitiu-me libertar todas as minhas angústias e medos. Deixou-me tirar a capa de fortaleza e ser fraca por instantes!
Nela queria apenas o conforto e aceitação de que eu não sou nem serei tão forte como Ela. De que estar doente nem sempre é fácil. Doar o nosso sofrimento a causas maiores e aprender com a dor é complexo e tramado. Suga-nos lentamente todas as reservas de energia, confiança e sem darmos conta rebentamos!
Vamos ficando menos piegas, mais frios e distantes. Evitamos os remédios e mais remédios e começamos a adiar e odiar as idas aos médicos. Entra-se no mundo da saturação!

Não acho que seja piegas, não acho que me queixe por tudo e por nada até porque nunca me permitiram fazê-lo! Aprendi a engolir a dor e não chatear os outros mas nem sempre é fácil!
Nem sempre é fácil entrar em hospitais e estar sozinha. Nem sempre é fácil olhar para o lado quando nos põem o soro, fazermos exames sem saber o resultado, vermos pessoas piores que nós a não terem uma mão ao lado e ali meio perdidas...
Não foi fácil na sexta-feira fazer um exame tramado que por ter sido mal feito me fez ficar rodeada por um mar vermelho. Não é fácil esquecer. É complicado gerir e acreditem que o estar calejada em maleitas e ter um "hotel" como segunda casa não diminui o sofrimento, não apaga o que o corpo sente e o espirito não perdoa!
Desta vez fui mesmo mariquinhas! Agarrei com toda a força a mão de uma auxiliar que ainda hoje deve ter tatuada as minhas unhas e estiquei todos os dedos dos pés o mais que consegui! Entre médico e enfermeiras não fui bebé e aguentei-me a todo o esforço mas mal o Manuel chegou foi impossível não deixar escorrer as lágrimas que por obrigação e orgulho não permiti que saíssem! Escorriam descontroladamente enquanto ele querido e paciente as limpava e com o olhar me dava conforto e segurança. Foram o suficiente para que me sentisse protegida e deixasse que a calma lentamente se apoderasse de mim! Passado horas e melhor já estavamos em casa a recuperar.

Graças a Deus e a muitos bons corações tenho tido várias mãos perto de mim! Vários olhares ternos e dedos suaves a limparem-me as lágrimas quando estas caem de desespero, cansaço ou medo.
Muito obrigado a todas estas mãos que me vão tornando estas passagens pela minha "segunda casa" mais suaves! Muito obrigado por me confortarem o coração e aliviarem a alma!
Gostava que cada doente tivesse uma mão para apertar quando vai fazer um exame, quando espera e desespera por um resultado, quando chora pela falta de alguém ali.
Entre pensamentos e medos que nos invadem nestes processos de entradas e saídas, olharmos para o lado e termos alguém que amamos e nos ama é bom, é bonito, é confortante!
São estas pessoas que nos chamam à realidade e nos lembram que tudo vai passar e vale a pena estarmos cá! São estas pessoas que nos tornam especiais e não nos deixam desanimar e desistir!
São vocês que com os vossos gestos e palavras nos fazem ser mais fortes! Que nos amam e acreditam que no final de tudo o nosso amor consegue ser superior a todas as dores, a todos os exames mal feitos, a todas as incertezas e dúvidas! São vocês meus queridos que me fazem sorrir!

Adorava não saber sequer o que é ter saúde porque a verdade é que só lhe damos valor e nos apercebemos do que realmente significa quando esta fica escassa...
Ao pé de muitos as minhas maleitas ainda são saúde e sinto-me ingrata quando estes acessos de raiva e revolta chegam e os deixo entrar!
Sei e agradeço muito a minha vida mas como pessoa não sou perfeita! Não consigo engolir sempre a dor e ser forte! Não sou aquela fortaleza que tão queridos me dizem ser. Sou fraca e egoísta ao ponto de ter e querer ter sempre ali uma mão e mesmo assim chorar!
A vocês tudo agradeço porque nem sabem a importância que as vossas mãos e palavras têm na minha vida!

Rezo por todos os doentes que ao contrário de mim realmente têm doenças graves e desesperantes! Eles sim poderão explodir, eles sim poderão desanimar e nem por isso se calhar o fazem! Alguns deles sem nenhuma mão amiga...
Neste meu caminho tão mas tão mais fácil que muitos outros tenho vezes como esta em que não consigo ter a humildade e paciencia necessária para aceitar e lidar com a incerteza do sofrimento!
Quando isto acontece lembro-me da oração que um amigo me ofereceu e que durante muito tempo me adormeceu e acordou e tento lá chegar:
"Nada te perturbe, Nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, Nada lhe falta:
Só Deus basta."

Santa Teresa D'Avilla

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A mulher da minha vida? Deixei-a ir...


Ontem ouvi esta música pela primeira vez e gostei! Normalmente ouço as músicas mas não ligo nada à letra  e deixo-me levar pela melodia.
Não sei porquê no meio do meu "Na na ni na ná" a tentar acompanhar o ritmo, parei na parte em que ele canta "That I should have bought you flowers".
Olhei para o Manuel e disse-lhe logo: "Há muito tempo que não me compras flores!".
Foi em jeito de brincadeira mas ficou dito para ver se pegava...
A partir daí, deixei de tentar cantarolar a música e ouvi a letra.
"Cause all you wanted to do was dance Now my baby is dancing, but she's dancing With another man" mal ouvi esta parte, a rir-me e com olhar torcista dei logo a dica ao Manuel " Não me dês flores não! Ficas assim como ele!" ;)

Hoje voltei a ouvir a música e não consegui deixar de pensar em todos os homens que perderam as mulheres das suas vidas!
Em todos os homens que já as tiveram ao seu lado e só depois de as verem voar noutros céus se lembraram do que poderiam ter dito, feito e aproveitado!
Pensei nos homens que por uma ou outra razão não o fizeram quando deviam e por isso, agora limitam-se a assistir a um presente com a consciência que não conseguem alterar o passado e que o futuro não passará por eles.
Verem aquela que mais amaram ter agora a vida que juntos entre risos e brincadeiras em tempos imaginaram e planearam mas com outro, deve ser um valente murro no estomago que os deixa sem ar e demora até voltar ao sitio...

Será que conseguem encontrar outra mulher? Será que daqui a vinte anos quando se cruzarem com as mulheres das suas vidas ainda vão tremer? Será que se casam com medo de ficarem sozinhos e ficam sempre a pensar no que poderiam ter feito? Como poderia ter sido?

Os homens são diferentes das mulheres. Acho que é mais difícil amarem verdadeiramente alguém e entregarem-se totalmente. Quando o sentem e  por teimosia sua o perdem, há-de ser um processo complexo retirar esse amor de todos os poros da pele.
Deve surgir uma reviravolta digna de mesas decoradas com copos de shots virados todos de seguida e insónias constantes.
Adormecerem e não pensarem no "e se" que os leva a sonhar com a realidade que perderam deve-se tornar quase impossivel e insuportável.
Suponho que seja assustador viver com o que se poderia ter feito mas não se fez...Acordar, quando o sonho é melhor que a realidade!

Gostava que todos estes homens voltassem realmente a encontrar o par da sua dança!
Dariam as flores que em tempos se perderam, a mão que ficou solta vezes demais, partilhariam sorrisos e tempo! Não teriam medo de correr atrás do coração e deixar por terra orgulhos e feitios. Seriam felizes e só assim fariam felizes quem estivesse com eles!

Ainda bem que o Manuel me enviou flores há uns anos! Ainda bem conseguimos e soubemos à nossa maneira engolir por várias vezes o nosso orgulho! Ainda bem que nos deixámos levar pelo que sentiamos e ainda hoje dançamos os dois!
Espero que assim fiquemos! E um dia, já corcundos e cheios de rugas continuaremos a cantar e dançar ao som do meu "Na na ni na ná"!

 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Casa é onde estou contigo!



Não gostava de ser um caracol!
Ter sempre a minha e apenas minha casa às costas! Seria solitário e teria o seu lado bom...
Teria sempre tudo o que era meu perto de mim. O conforto da minha cama, a certeza de tudo no lugar no meio da minha desarrumação, o cheiro do meu perfume! A liberdade de entrar luz apenas quando quisesse e de me deixar viajar sossegada pelas chamas de um lume ardente ao som de uma música de piano e violino...
Teria as vossas fotografias a rirem-se com os meus passos de dança e a sofrerem constantemente com a minha voz rouca cheia de ilusões de que o meu" Na Na ni Na ná ná" é música e eu cantora!

Os caracois carregam e têm sempre perto de si as paredes que os protegem do frio no Inverno e lhes dão sombra e refresco nos dias quentes e secos de verão.
Adoro ter o meu poiso! Adoro sentir que aquele espaço é meu! Que aquelas paredes são o meu ninho e aquelas janelas deixam entrar os raios de luz porque eu assim decido!
Adoro sentir isso mas apenas faz sentido quando dentro dessas quatro paredes estou com quem mais adoro! Quando para além das minhas chaves outra metade do meu coração também as tem!

Ao contrário do caracol, posso mudar vezes sem conta de carcaça, China, Brasil ou ali ao virar da esquina! Desde que tenha quem mais adore, família e amigos por perto, estou bem! Estou em casa!
Troco a certeza de andar sozinha com a casa ás costas pela incerteza e novidade da mudança contigo!

Alguém me disse que uma mudança é um incêndio onde se queimam e deixam para trás muitas coisas. Móveis partidos, copos esquecidos, pratos que já não queremos...memórias muito boas que provocam incêndios nos nossos corações e deixam saudades!
É bom termos estes incêndios e passá-los juntos! Aproveitarmos a chama das lembranças e acendermos uma lareira ali, aculá, noutro sitio! Onde for! Os dois, os quatro, todos!

Quando nos são apresentados caracois a carcaça é desprezada e valorizamos muito mais a mini fresca que os acompanha! A carcaça fica no prato e o recheio, esse sim delicia-nos!

O importante não é onde estamos mas com quem estamos!
O resto?
Vem por acréscimo!
O importante já lá mora ou vai morar...nós! <3


 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Anjo da Guarda





Anjo da Guarda!

Desde pequena que me lembro de ter em cima da cama um anjo da guarda pendurado.

Sempre vivi e senti que um anjo seria alguém que zelava por mim. Que me protegia e amparava. Alguém que estaria entre Deus e as minhas imperfeições e pecados. Não teria que ser alguém divino, poderia ser de carne e osso como os avós, que recebem os defeitos dos netos e lhes dão aconchego e mimo independentemente de tudo.
O Anjo seria o enviado de Deus que por estar tão ocupado queria garantir que todos nós estávamos sobre a sua guarida. Sobre a guarda de um anjo que nos protegia!

Sei que tenho vários anjos da guarda, sinto-o! Três deles, muito especiais que não me largam!Acredito que dê o passo que der, estão comigo! Dão-me a mão, admiram-se, desiludem-se, espantam-se, alegram-se e sofrem por mim mas não deixam de estar! Não abandonam a guarda!

Não sei se sou o anjo da guarda de alguém... Sei que vivi com um exemplo enorme de dois grandes anjos e eles sim acolheram e mimaram inúmeros corações!
Eles sim, deram vidas e multiplicaram conforto. Eles sim, transformaram, mudaram e criaram famílias, deram-lhes segurança!
Eles sim, merecem uma homenagem pela fábrica de amor ao próximo que construíram!

Acredito que cada um de nós com singelas mas significantes atitudes consegue guardar a vida de outras pessoas. Com gestos, palavras e de coração aberto podemos dar o que de mais bonito temos e conseguimos mais e melhor!

Agradeço a todos os anjos que nestes anos me têm e continuam a guardar! É bom tê-los comigo e senti-los! Umas vezes através de pessoas tão queridas que tal como vocês gostam de mim e tal como vocês também me querem guardar. Outras vezes simplesmente sei que estão ali!

Para me deitar e adormecer tranquila, nada melhor do que rezar a oração que desde pequena rezo e que, tal como os anjos, também ao longo dos anos foi tendo um aconchego:

"- Anjo da Guarda, minha companhia, Guardai minha alma de noite e de dia. Guardai a alma do Pai, Mãe, Avó Zé, Avó Nini, tio Francisco, tia Lúcia e de todas as pessoas que já partiram deste mundo. Amén"

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Fui ter contigo!

Gostavas que eu estivesse lá e estive!

Levei comigo um bocadinho de ti num dos teus lenços e entre amigos e família fui feirar!
Foi fácil estar bem no meio da manga e danças no Batalha! Sem abafadinho nem ginja não fosse a lágrima cair consegui divertir-me!

De madrugada quando voltávamos para Lisboa passámos pelas tuas paredes! O Manuel quis entrar e conhecer por dentro a casa que tantas historias conta! Cedi...e fui ter contigo!
Foi um abrir de uma porta para o quase vazio, o cair de várias lágrimas e soluços há demasiado tempo travados!
Não estavas lá!!!!! As mesas e cadeiras não tinham vida, as paredes da sala desertas, a lareira apagada e ao contrário de quando lá estavas, podiamos falar normalmente pois não estava ninguém.
Deu-me a sensação de entrar numa festa que de repente é sombra, sem luz, sem bolo e confetis, sem agitação e confusão!

Muitas vezes nos disseste "Aproveitem que em acabando a macaca acabou-se a comédia!". Dizias a rir-te para te darmos valor e aproveitarmos todos os momentos bons que tão bem sabias, que sem ti, não seriam os mesmos!

Não o são! Dificilmente o voltarão a ser! Tinhas razão!
Devemos aproveitar os momentos que sabemos apenas serem conseguidos se forem com aquelas pessoas! Se forem naqueles sitios!
Ainda bem que aproveitei aquela casa contigo! Ainda bem que amigas minhas viveram aquela casa cheia de ti! Felizmente guardo memórias boas que me vão dando alento ao coração e que espero um dia conseguir transmitir a filhos e netos! Espero que também eles conseguiam fazer daquelas paredes uma felicidade e chegar perto da vida que tu eras ali!

Os tempos mudam, as vontades alteram-se e nada se volta a repetir! Sei que estás comigo e talvez por isso, ontem mesmo de coração apertado aproveitei um bocadinho com aqueles que também são teus! E gostei! :)

sábado, 3 de novembro de 2012

Não fujo de ti mas da dor de sentir a tua falta! Desculpa.



http://www.youtube.com/watch?v=jzF_y039slk

Sei que gostavas que aí estivesse...

No sítio que te enchia o coração e dava energias para o resto do ano. Onde realmente estavas e sentias em tua casa!
Filhos pelos quartos do comboio, netos e amigos pelos sótãos, netas na casa do lado com tios e amigas.

Ali via-te feliz! Era a conjucação perfeita entre o Sol e a chuva! Naqueles dias vivias e caminhavas num arco-íris. Ganhavas um brilho nos olhos e o teu sorriso de garota marota voltava!
Estavas em casa! Sem luxos e manias era ali que te sentias mais tu!
Davas o ar da tua graça na feira onde disfarçadamente admiravas aqueles que mais amavas mas surrateiramente voltavas para o teu ninho! Trocavas a confusão pela tua cadeira à lareira onde de dia e de noite éramos embalados e alegrados pelo relinchar dos cavalos! Vias quem chegava pelo meio das laranjeiras e punhas tudo a mexer!
Ao contrário de mim, ali não precisavas de abafadinhos para te aconchegarem a alma porque mesmo sem modormias tinhas casa cheia e sei que bastava isso para que o teu coração ficasse satisfeito!
Ali era fácil, ali as paredes foram pintadas com aquilo que nos junta e faz sorrir: o amor! Paredes que contam histórias e guardam tanto de Ti! Paredes repletas de dias felizes e momentos cheios de recordações fantásticas!

Sei que gostavas que aí estivesse, a esta hora já a dançar e divertida!

Eu também gostava de te ter a entrar pela porta do nosso quarto a perguntar em modo de afirmação se não iamos à missa! Quando sabias que já o galo cantava e ainda estávamos acordadas a dar os últimos passos de dança!
Talvez a missa fosse o pretexto para te certificares que o teu rebanho estava todo em casa seguro.
E o que eu não dava para ter essa sensação amarga do teu despertar! Trocava um mundo e outro para que em todas as noites pouco dormidas me chamasses para ir à missa!

Gostava de te ver ali a encher a casa com a vida que só tu lhe conseguias dar!  Da mesma maneira que um pôr do sol só é extraordinariamente bonito se for admirado naquele instante também as paredes deixavam de ser paredes e contigo ganhavam vida! Enchias e mexias com todos nós! Davas magia e emoção! E o teu tempo já passou...

Não consigo! Deixa-me ficar por aqui...a relembrar as alegrias e euforias!A gargalhada forçadamente engolida quando nos falaste a todas dos "shops" e cada vez que dizias a palavra todas em fila engolimos em seco e olhávamos para baixo para não sair um riso geral!
A laca exagerada que nos punhas no cabelo, a força com que nos apertavas a cinta, os brincos pendurados, a saia por baixo das pernas e lá iamos nós...

Vou feirar para outros sítios, onde as castanhas sejam apenas castanhas e não espere nelas matar saudades de bocadinhos teus! Onde não haja tanta coisa tua! Vou estar onde ainda possa chorar a tua ausência em segredo e assim tente fugir destas saudades avassaladoras que teimam em ficar e ficar!
Deixa-me desta vez ir pegando o touro devagarinho porque é insuportavel procurar por ti e não te encontrar!
Deixa-me ser fraca e fugir de ti! Ter medo de te procurar e não te encontrar!
Aquela casa eras tu e tem tanto de ti que ir ter com o vazio ainda é impossivel para mim! Ainda não sei parar de pensar em ti! Ainda não sei parar de te ver em tudo! Não vou parar de te amar...mas não consigo!

Não fujo de ti mas da dor de sentir a tua falta! Desculpa.