domingo, 5 de maio de 2013

Hoje é o vosso dia!

 
 
 
 
 
 



Hoje é o vosso dia!
O dia das minhas queridas mães!

Acho bonito que exista um dia dentro dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano especial para todas as mães!
As mães são extraordinárias! Sem nos verem já gostam de nós e mesmo quando lhes damos pontapés e enjoos continuam a dar-nos festinhas. Fazem do coração escudo que nos protege e são esponjas que absorvem todos as nossas alegrias e tristezas e quando apertadas transbordam de lágrimas e sorrisos. Bebem a nossa felicidade e multiplicam-se para que os males não nos atinjam. Transcendem-se para nos darem o melhor que sabem e encarnam leoas para nos protegerem. Educam-nos e dão-nos valores para que sejamos o melhor que queiramos com as bases adquiridas! Sofrem cada vez que estamos doentes, ficam de coração apertado cada vez que saímos à noite, orgulham-se de nós e têm medo. Medo do dia em que nos vão "perder" para alguém que também amamos mas de maneira diferente. Adormecem melhor cada vez que estamos presentes e acordam radiantes apenas porque nos amamos!

Tenho uma ideia mais vaga do que gostava da minha mãe João. Amarro na memória as pequenas lembranças que tenho, tento ouvir a sua voz mas não consigo o tempo tratou de a apagar. Colo todas as histórias que me vão contando e revejo as poucas fotografias que tenho.
Sou a cara do meu pai e por isso sempre que vou conhecendo, aqui e ali, mais um bocadinho de Ti tento encontrar alguma coisa que tenha herdado Tua. Acho que ainda temos algumas!
Durante alguns anos vivi agarrada a estas memórias e sentimentos para que o meu coração não esquecesse o que é ter mãe. Vivi muitas vezes com a falta de ter uns braços abertos prontos para me apertarem, apenas porque sim! Foram imensas as alturas em que precisei de mimos, dos teus mimos, mas cresci e fui aprendendo a viver sem eles! Entristecia-me e entristece não os conseguir ter mas resignei-me às saudades e ao facto de que teria de deixar de ansiar e esperar por um amor de mãe e os seus reflexos quando á partida já sabia que não os teria!

Enganei-me!
Neste caminho e ao fim de algum tempo de conhecimento, maturação e relação, descobri um amor muito próximo ao teu amor, mãe João.
A avó Zé completou grande parte do vazio que forçosamente deixaste em mim. A seu tempo criámos os nossos laços, os nossos beijinhos e abraços. Aquele sorriso maroto enchia-me o coração e o seu beijinho antes de adormecer dava-me amor. Finalmente senti o que era o amor de uma mãe! A paz e calma que nos dá, a segurança que nos transmite e o sorriso que nos tranquiliza e dá força.

Estas minhas duas grandes mães foram tendo sempre a companhia de tias, primas, mães de amigas que tantas vezes foram mãezinhas. De todas elas agradeço em especial:

A tia Beibinha! Desde sempre incansável! A sua preocupação e o seu amor genuíno que faz com que a sua casa sempre tenha sido a nossa e a sua família também nos sinta um bocadinho dela! A mãe João não poderia ter tido melhor amiga!

A tia Ana! Ainda miúda antes de ser mãe dos seus foi-o das "Ticas"! Imparável! Nunca foram quatro lá em casa, fomos sempre seis! Esteja como estiver, onde for e que horas sejam, sei que dá a volta ao mundo se sentir que uma mão ou um beijinho são importantes naquele momento!

A tia Cristina! Tão mimosa e poeta! São inúmeras as horas de conversa, as tardes de confidências e as trocas de ternura! Sou o seu Passarinho Azul e sei que nela tenho sempre um ninho!

As primas Joana e Catarina! Mais do que irmãs vão sendo as minhas mãezinhas! Aturam-me e sobretudo acarinham-me!

A tia Leninha! De coração aberto, sem ter que o fazer, acolhe-me todos os dias de braços abertos e a ternura recebida é imensa!

Hoje vivo sem as minhas duas grandes mães! Sem a minha serenidade e o meu aconchego e não há dia que não sinta a falta delas mas sou Feliz, tenho que ser Feliz! :)
Não só por mim mas porque seria o que Elas com o amor que sentiam por mim mais desejavam, ver-me feliz!

Com todas as minhas queridas mães emprestadas e com Nossa Senhora que lhes tem dado sempre a mão, o caminho tem tido imensos dias de Sol radiante como o dia de hoje!

Obrigada a todas!

Espero um dia conseguir dar tanto a um filho meu como vocês todas me têm dado!

terça-feira, 26 de março de 2013

Êxtase!



 
 
 
 
 




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Este fim de semana que passou tivemos mais um casamento na família! Mais uma festa!
Quando vi as fotografias tinha lá esta. Olhos a brilhar, beiços apertados e manchas na pele a denunciarem o meu nervosismo e esforço para não chorar!
A minha expressão não é de tristeza, medo ou dúvida na vossa união! Se transparecesse o que sentia teria escrito na testa: felicidade!
Esta minha cara revela o que senti na biblioteca quando saudosamente e a teu pedido minha querida, rezámos por quem não tínhamos ali presente.
Naqueles minutos de oração relembrei e imaginei o quão bom seria terem e termos ali todos os que já partiram e como também eles estariam felizes por vocês!
Acredita que mesmo antes de rezarmos já ali estavam todos!
A avó Zé a dar a sua Alegria em todas as mesas decoradas com as suas preciosas camélias, os teus amores fascinados com o vestido que em tantos bailes rodopiou entre os dois e que agora rodou contigo! No vosso sim, estavam as vozes de todos e acredito que uma euforia especial daquela que sempre torceu por vocês!
Estiveram em cada minuto, em cada acorde tocado no acordeão, em cada gesto de amizade entre gerações, no bailar de uma valsa entre olhares e corações, num brinde efusivo e bem bebido. Revelaram-se nos sorrisos puros e contagiantes, na lágrima escondida, num abraço e beijinho sentidos.

Parar de repente uns segundos, fechar-me no meu mundo, admirar o que me rodeia e inesperadamente ficar reconfortada, fez-me ficar em êxtase. Simples e genúino, fruto de sentimentos e sensações que nos fazem flutuar e sentir todos os que estão e não estão!
É tão bom sentirmos esta adrenalina que nos dá anos de vida e nos mostra que realmente o essencial é invisível aos olhos e vive no coração!
 
Desde que partiste para outra viagem que não te sentia e revia tão perto de mim, tão presente em todos nós...


Parabéns aos dois pelo amor que vos une e como o querido sábio vos disse ternamente, namorem! Que namorar é a salvação para tudo! ;)

terça-feira, 12 de março de 2013

É o Amor! O teu Amor!



Hoje em conversa sobre as cadeirinhas de bébes para usar nos carros, carrinhos e fraldas, dei por mim a ouvir a conversa e ao mesmo tempo que acenava que sim com os olhos o meu pensamento viajava.
A caminho da Beira mais Baixa, por caminhos com curvas e contra curvas. O tempo interminável que demorávamos. As barras de chocolate da Nestlé que tão querida e atenciosa levavas no porta luvas, não fosse faltar o açucar ao nosso mais que tudo que devagarinho ia subindo e descendo as serras.
De repente e para quebrares o tédio da viagem e nos entreteres, no teu jeito traquinas e divertido, abres a janela e gritas bem alto para uma senhora que descontraidamente ia a pedalar na sua bicicleta à beira estrada:
 -"Cúcú vi-te o cú!"
Ainda hoje tenho gravada a imagem que se seguiu e o quanto nos rimos! Rasgo sorrisos cada vez que me lembro e espero um dia conseguir ter a lata divertida e saudável que tinhas para gerar sorrisos nos que mais gosto!

Neste regresso ao passado, às nossas idas ao Valongo, vieram as saudades mas fiquei de coração cheio!
Relembrar a maneira como na altura nos proíbias de dormir com a cabeça encostada à porta reconfortou-me!
Na altura engolia em seco e de má cara, pois era bem mais confortável dormir de cabeça encostada ao vidro da janela! Sem teres que o fazer, justificavas a tua ordem com a tua preocupação e protecção!
Se tivessemos o azar de bater ou um carro bater contra nós, pelo menos não nos acertaria logo na cabeça...
Suspirava com essa teoria e não percebia, achava que era mais uma implicância.
Hoje não imaginas o quanto foi bom olhar para trás e sentir que me querias segura! Que me querias contigo e fosse onde fosse me protegias porque mesmo não controlando tudo tentavas manipular o que conseguias para me ter salva e bem ao teu lado!

É bom termos quem nos segura e protege!
É o Amor! O teu Amor!

terça-feira, 5 de março de 2013

Aperitivos no Tempo!




"O tempo cura tudo..."

Já todos o ouvimos, já saíram da nossa boca entre lamúrias e ânsias de esperança estas simples quatro palavras com tanto peso num futuro.
Não acho que o tempo cure tudo. A distância do ponto de partida é que nos liberta na descoberta de novos horizontes cheios de novos pontos e conquistas mas a marca permanece. Talvez por ser vista à distância pareça mais pequena mas tal como o astronauta acabamos sempre por regressar aquele ponto pequeno que é a Terra.

Em miúda fui atacada por um cão que era meu desde pequena. Não penso nisso todos os dias mas cada vez que por acaso passo com os dedos no pescoço junto à orelha, sinto aquele alto e imediatamente volto para aquela tarde e recordo como se fosse hoje!
Hoje relembro e revejo tudo com outro olhar. Imagino o pânico de quem estava comigo, o susto de quem me abriu a porta e o olhar terno e preocupado de quem me tratou.
As minhas cicatrizes na cara passaram, o respeito por cães daquela raça mantem-se e a consequência de ter sido abatido depois de ter atacado novamente alguém deu-me uma espécie de alívio com uma profunda tristeza. Afinal aquele tinha sido o amigo que me acompanhara na fase mais difícil da minha criancice.
O tempo remediou a falta dele com outras coisas mas passado tantos anos a marca no pescoço permanece e ativa o que está no coração!

O tempo não cura, não apaga, distância-nos de tal maneira que com a serenidade necessária conseguimos olhar e perceber, rir ou chorar, amar ou duvidar, questionar ou admirar o que fomos!
O tempo dá-nos a hipótese de com calma nos irmos conhecendo e aprendendo com aquilo que já passou mas marcou!
Estende-nos uma bandeja com vários aperitivos de nós mesmos prontos a serem retirados quando e onde quisermos. Dá-nos a possibilidade de vermos que somos muito e muito mais!
Porque o tempo passa mas não cura, acentua o que mais falta faz e que por mil razões e galáxias de distância nunca será entendido porque no coração as leis da perceção, análise e equilibrio não funcionam!

O tempo é a nossa cortisona, disfarça uma dor que ao mínimo toque volta a surgir! Ou o aproveitamos enquanto estamos bem para encontrarmos a raiz dos nossos males ou passaremos uma vida inchados e ressacados de falsos eu´s mascarados com o passado que o tempo não curou...

Não temos nem devemos viver no passado ou pelo contrário fugirmos dele, podemos aprender com ele!
Afinal, a bandeja a ser servida só é realmente completa, bonita e genuína com todos os aperitivos, com todos os pontos que mesmo distantes no passado nos marcaram e nos foram tornando quem somos!





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

NÃO! não..Não

Desde pequena que fui dizendo "não" e ouvindo também várias vezes a palavra "não!".
É diferente dizermos ou ouvirmos um não. A palavra "não", escrita ou falada implica a recusa de alguma coisa, a repulsa e impedimento de chegarmos ou atingirmos algo. Contraria uma vontade existente e obriga-nos a recuar. Ninguém gosta de ouvir um não, salvo raras exceções!
A  minha e adorada avó Zé sempre me alertou para a importância e benefícios da palavra Não! Quando estava na Universidade enviou-me um artigo de um jornal com os efeitos e mais-valias de dizer Não! Hoje percebo o envio desse artigo! Hoje percebo que me queria mostrar que mesmo quando me disse "não", me amava e quando o fazia ainda o demonstrava mais! Aquele artigo foi a forma de me mostrar através de alguém que sem a conhecer escreveu em sua defesa e me mostrava que só consegue dizer "não" quem realmente ama e o faz por amor! Só consegue dizer "não" quem nos ama acima do seu amor-próprio que permite ter como causa de dizer "Não" um desassossego e aperto no coração que se apodera de quem o pronuncia!
Só quem ama consegue aguentar a raiva, choro e irritação causadas por um "não"! Só quem ama consegue ver para além de um amuo e suportar todos os olhares mal-amados! Quem ama cuida e cuidar não é mais que saber dizer "não" para que um dia também nós saibamos ouvir e dizer "não"! Quem ama não quer criar monstros iludidos de que o mundo é de facilidades mas sim pessoas bem formadas e preparadas para ultrapassar todas as negas que a vida lhes colocar!


Hoje não só percebo como sinto a dificuldade e responsabilidade de saber e conseguir dizer "Não!".

Uma das famílias que acompanho há mais tempo está a passar a fase de ouvir da minha parte o Não!
Não posso atender sempre o telefone porque também trabalho. Não posso assumir uma conta da luz quando a mãe trabalha há um ano e deveria ter poupado dinheiro para as despesas mensais! Não, não vou apesar de ter donativos para tal dar-lhe dez euros para pagar os remédios da farmácia quando chego a casa e estão maços de tabaco na mesa! Não vou entregar o beliche quando não existe dinheiro para o essencial e esta mãe aparece com madeixas no cabelo! Não irei à escola defender os pequeninos quando estes são mal-educados e batem nos outros, antes pelo contrário sou a primeira a chamá-los à atenção! Não vou nem posso fechar os olhos e fingir que esta família espetacular, alegre e esforçada está a cair no comodismo de se encostar ao que vamos fazendo por eles.

De uma coisa tenho a certeza, por gostar tanto de todos, desde a mãe aos pequeninos, Sim, vou-lhes dar todo o apoio na gestão das contas da casa! Sim, vou com a mãe ao supermercado e ajudá-la a perceber onde estão e quais são os produtos mais baratos e de qualidade. Sim, vou fazer de tudo para que sejam responsáveis e assumam um papel ativo na família, bairro e sociedade. Sim, vou tentar que percebam que para sermos respeitados temos que respeitar e que os professores não são nossos escravos.
Sim, vou impulsioná-los a conseguirem resolver os seus problemas sem dependerem de mim. Sim vou fazer de tudo para que aprendam a ouvir um não e o saibam dizer também quando necessário!

Sofro horrores cada vez que lhes digo um Não e do outro lado vejo e ouço a dúvida se ainda estarei a ajudá-los ou não! Custa-me  mas acredito que seja por um bem maior.  Acredito que esta sensação de coração apertado que tenho sentido nestes dias vale a pena e espero que daqui a uns tempos tenhamos todos a recompensa!


Obrigada por todas as vezes que foste forte e mostraste segurança nos teus "nãos" mesmo que te tenham custado dias amuada contigo, respostas menos queridas e olhares menos simpáticos! Imaginar o que te fiz sofrer cada vez que o fiz doí-me imenso e mais ainda, agora, que dava tudo para te abraçar e dizer que Não fizeste nada mal em me teres dito tantas vezes que "não" porque agora sei que foram para o meu bem e por me amares!

Um dia vou-me agarrar a eles para também dizer aos meus pequeninos tantas vezes e tão bem como tu a palavra NÃO!
Por agora já comecei os treinos e vamos ver que tal me safo nisto de ter que dizer que não...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Saudades tuas Sofes!

Ontem o dia começou com o ritual do costume: cabelo ensopado e a ser seco com o calor da ventilação do carro, blush a ser posto em cada semáforo encarnado ou transito que surgisse!
De repente olho e vejo um carro igual ao teu com uma rapariga tão parecida contigo que por segundos me esqueci que estavas em Angola!
Atirei o blush para o banco do lado e comecei a acenar de alegria e entusiasmo! No mesmo instante em que tenho consciência que estás longe deparo com uma cara desconhecida que nunca poderia ser a tua! Que desilusão!
Gostava que aquela euforia não tivesse durado segundos e fosses mesmo tu!
Acho que são as saudades e a falta que fez não estarmos na correria do Natal e passagem de ano a fazerem sentir-se!
Tenho saudades, muitas!

No caminho até ao trabalho fui-me relembrando de cenas passadas…
As noites em minha casa para me sossegares como uma irmã mais velha faz quando a outra tem um pesadelo.
A célebre e dramática odisseia entre a Avenida da Liberdade, com passagem pelo Rato e fim na Rua do Salitre e ainda nos conhecíamos mal...que dia! E que extraordinária que foste!
Fazes-me falta! Preciso da tua sanidade e estabilidade que estão para a minha inconstância e insegurança como a água dos oceanos para o sal!
Dos teus mimos que não chegam em abraços nem beijinhos porque não és dessas coisas mas se revelam com o estar presente nos momentos mais importantes! É tão bom rever esses momentos e saber que teres estado fez a diferença...
Queria ter aqui o aconchego da tua alegria quando sabes que estou feliz e o franzir dos olhos quando achas que estou mal!
Acreditas em mim e queres o meu melhor e sempre que errei continuaste aí, onde ainda estás hoje!
Este mundo precisa de senhoras como tu, em que venha o que vier, aconteça o que acontecer, até podes desanimar mas não desistes! E nunca desististe de mim...
Tenho saudades dessa bundinha a dançar e do teu olhar de quem sabe amar!
Tenho saudades de te ter aqui ao lado e te puder visitar...ir beber café e contar as novidades boas em que ando a trabalhar e que estou a amar!

Ainda bem que há uns bons anos o curso nos juntou! Ainda bem que posso ter no meu coração uma amiga tão querida e especial que quando chamo de mana não é banal...

Fazes-me muita falta Sofes e estou seriamente a pensar cair na pateguice de ter uma fotografia tua no espelho do meu carro...não vá cair em engano outra vez ;)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A viagem invisível aos outros...




Sentado numa cadeira confortável e espaçosa na primeia classe de um avião ia Amadeu em direcção a Lisboa. Tivera uma reunião bastante importante e deveras cansativa. Ansiava por aquelas horas, sentado e descansado sem ter que raciocinar. Teria apenas que voar tranquilo e acordar na aterragem.
Ao seu lado tinha um pai com três crianças que não paravam de correr, saltar e rir. Tocavam no botão que chamava as hospedeiras de bordo e entre risos escondiam-se, fugiam e pulavam entre as cadeiras.
Exausto e ansioso por dormir Amadeu levanta-se e bruscamente dirige-se ao pai das crianças reclamando o seu direito de paz e sossego naquelas duas horas de voo!
De forma indelicada e rispída mostra o seu desagrado e saturação!Insulta o pai e põe em causa a educação daquelas crianças! Chama as hospedeiras e exige uma atitude!
O pai das crianças cabisbaixo acena com a cabeça concordando e aceitando a revolta de Amadeu diz-lhe apenas de coração destroçado:
-"São meus filhos! Têm 5, 7 e 9 anos. Acabaram de perder a mãe e por isso talvez não tenha coragem de neste momento lhes retirar a alegria e entusiamo de estarem a voar! Talvez não seja capaz de os mandar calar e lhes roubar o sorriso e brilho nos olhos que tanto preciso ver!
Peço desculpa mas hoje não o farei...hoje vou deixá-los rir, cantar e pular! Vou deixá-los aproveitar ao máximo todos estes minutos de entusiasmo e alegria! "
Amadeu ficou petrificado! Lentamente e fora dele recuou não sabendo bem onde pôr os pés! Por segundos parecia que uma janela se tinha aberto e o sugava lentamente para fora do avião!
Suplicou a ele próprio para não ter feito o que fez, não ter dito o que disse, não ter julgado sem saber...
Os gritos, os pulos, as gomas a voarem entre cabeças, as gargalhadas entusiastas deixaram de lhe rosnar nos ouvidos! De repente sentiu-se estupidamente pequeno e ridiculo!
Surgiu nele a vergonha e vontade de também com eles gritar, pular, cantar e abraçá-los porque realmente a vontade dele de descansar poderia ser adiada para dali a umas horas mas o amor de uma mãe não estaria à espera deles quando aterrassem! O calor e companhia da mulher não estaria em casa à espera para os receber! Aquela família ia aterrar numa nova vida...

Somos tantas vezes Amadeus! Julgamos os outros tantas e tantas vezes sem pensarmos antes! Não nos pomos no lugar do outro e ocupamos apenas o nosso! Criticamos e banimos o desconhecido ou o mais próximo sem antes nos questionarmos do porquê? Como? Quando?

Esquecemo-nos que a realidade dos que amamos e estão perto de nós nem por isso é igual á nossa!
O nosso avião pode ser o mesmo mas a nossa viagem é diferente porque também nós o somos!
Há que aceitar a viagem a que Deus nos propõe porque é única, é nossa mas pode-se tornar mais fácil e suave se quem se sentar nas cadeiras ao nosso lado a tentar compreender!

Só assim irão aceitar ausências e gargalhadas! Só assim viajarão connosco e não cairão no erro de julgar o que felizmente não vivem...e quando o viverem quem já viajou naquele avião saberá certamente compreendê-los e aceitá-los.