terça-feira, 5 de junho de 2012

É bom saber que vos tenho perto! Obrigado!

Estes últimos dias têm sido um autêntico corropio.

Um corropio de imensas coisas boas e cheio de novidades. Desde que saiu a reportagem no Jornal das 8 da TVI e o artigo no Jornal Diário de Notícias que felizmente não temos parado de receber não só donativos como pessoas a quererem ajudar e ser voluntárias. Têm-nos chegado muitissimos pedidos de ajuda e com eles também algumas reclamações por não terem resposta de alimentos e bens imediata.

Gostava de agradecer a todas as pessoas que se têm juntado à Associação Ajudar Uma Família! A todos aqueles que estão por trás de tudo e não aparecem nos artigos, nas reportagens!
Sem todas essas pessoas, sem todas as doações, sem todas as ajudas não conseguiriamos ajudar! Como digo às famílias, não têm que me agradecer a mim, eu sou apenas o elo de ligação entre quem disponibiliza donativos, bens, tempo para os ajudar. Eu dou a cara de uma ideia que sugeri e que se todos vocês não tivessem agarrado e acompanhado não passaria simplesmente de uma ideia e sugestão no facebook.

Se hoje somos uma associação, ainda que pequena e a devagarinho ir apalpando terreno e dando pequenos passos, a todos vocês o agradeço e devo.  Se hoje conseguimos levar alimentos a famílias famintas é graças a cada euro que cada um de vocês doa! Se hoje uma família vai melhorando a saúde do seu filho, é porque vocês confiam e apoiam! Se hoje temos uma mãe inserida no mercado de trabalho é porque quem a escolheu nos preferiu, acreditou e apostou!

Se hoje, famílias têm acesso à cultura, teatro, cinema, jogos de futebol, campos de férias etc, a todos vocês o devemos! A todos os que realmente acreditam que com o nosso pouco conseguimos fazer magia e transformá-lo em tanto para quem nada tem, estou eternamente grata!

Grata a todos os que realmente acreditam, confiam, motivam e ajudam! É bom ver e sentir este enorme movimento feito de pessoas para pessoas! É bom constatar que de pequenas ideias conseguimos fazer acontecer, conseguimos mudar vidas e destinos!

Obrigado a todos! Obrigado avó Zé e avô Fernando por sempre me terem ensinado e demonstrado com as vossas acções que os outros são pessoas e que cada pessoa merece respeito!
Obrigado por me terem ensinado que o que temos ou herdamos não nos define! O que nos define é o que somos e fazemos! Se herdamos e temos, que o tenhamos em partilha! Que não seja apenas para nosso proveito e sempre que seja possivel ajudarmos aqueles que infelizmente não tiveram a sorte de nascer numa família como a nossa, que não herdaram nem têm, e que o façamos de coração aberto!

Obrigado avós por me incutirem o espiríto de esforço, trabalho e sacrificio. Por saber as minhas responsabilidades dentro da minha independência e que se para a ter, precisar de trabalhar mais, que o faça! Que o faça, seja na mais prestigiada das funções inserida na melhor das empresas ou um mero trabalho administrativo e simples, mas que o faça! Porque trabalhar não é vergonha, vergonha é saber falar, saber estar, ter olhos, boca, pernas e braços e mesmo assim não o fazer!  Sempre fui educada e impulsionada a ambicionar mais do que ser varredora de ruas mas a respeitar quem o faça! Talvez por isso acredite que em todas as nossas famílias tem que existir um potencial trabalhador, um potencial activo para a sociedade!

Obrigado queridos avós! Nada sou nem serei ao pé do que foram, do que são, do que fizeram e contribuiram para tantas e tantas famílias, mas agradeço aos dois o exemplo deixado!

Obrigado a todos os meus amigos que nesta caminhada estiveram e estão presentes! Em especial à Pipoca, Rita, Pedro, Margarida, Vidi, Teresinha, Francisco, António, Ana e Manuel por aceitarem este desafio e darem não só a cara como o vosso tempo a este projecto!

Obrigado a todos os que nos dão o vosso tempo e vão comigo fazer entregas e como eu recebem os sorrisos enormes das famílias e abraços cheios de mimo e felicidade! É sempre melhor quando me acompanham e partilhamos este mar de sensações e sentimentos!

É bom saber que vos tenho perto! É bom saber que estamos juntos e que juntos vamos tornar o pouco muito e Ajudar Uma Família!

OBRIGADO!





quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ainda há quem fuja da Melanina!

Ontem deparei-me com uma coisa que acreditava já não existir de uma maneira tão descarada!

À espera do elevador carrego para subir. Ao meu lado estava um senhor dos seus quarenta anos e uma senhora que estava a fazer o seu trabalho nas limpezas. A diferença entre um e o outro é que o homem bem composto é branco e a senhora das limpezas é preta!
 Entre eles estava eu, branquinha com pintas castanhas!

Reparo que a Senhora carrega para descer e quando o elevador que desce chega entra e desce sozinha. Chega o elevador que vai subir, supus que fosse o "nosso", meu e do homem branco! Apercebo-me que o homem branco carrega novamente nos botões mas para descer!
Afinal o elevador para subir não era o "nosso", era apenas  meu! O Senhor bem composto também ia descer, podia ter descido com a Senhora das limpezas que chegou depois dele mas preferiu não o fazer! Preferiu não descer com a senhora simples e simpática mas para ele, preta!
Sorte a dela, se for como eu que odeio as conversas de treta de elevador sobre o tempo e a crise, acabou por se safar e ter o elevador só para ela!

Fiquei petrificada e engoli em seco! O racismo existe entre brancos e pretos, pretos e mulatos etc! Existe de várias formas e expressa-se de várias formas, MAS AINDA DESTA MANEIRA?



Que se digam piadas, que se brinque com todas as raças, acho razoável e por vezes até saudável! Temos que ser e saber ser os primeiros a gozar connosco próprios, é sinal de maturidade, de gozo e que nos conseguimos divertir connosco e dar a outros a oportunidade de com a nossa segurança se rirem de nós e connosco.
Quando não nos conseguimos rir de nós próprios é porque ainda não gostamos mesmo de nós, ainda somos inseguros e frágeis e talvez por isso mais susceptiveis e vulneráveis!

Nunca me esqueço de uma noite no Algarve em casa de uma amiga, estarmos em grupo a jogar às cartas e termos que criar uma regra quanda saia determinada carta.
A regra que disse, com um amigo preto também a jogar, foi para falarmos todos à preto durante o jogo! Depois de o dizer e me aperceber fiquei sem saber onde me enfiar e quem desmistificou tudo foi ele, que a rir-se e descontraído disse-nos que para ele ia ser fácil, fácil! O jogo continuou, a noite foi divertida e animada! Não houve racismo, não houve espaço para preconceito porque tudo depende da maneira e sentimento com que se dizem as coisas! Da naturalidade com que tanto se imita um alentejano a falar como se tenta imitar um preto ou brasileiro.

Com os pretinhos que ajudo também sou a branquelas, a branca e eles os meus pretinhos. Não me sinto ofendida e eles também não. Mas eu, como branca às pintas castanhas, não tenho um passado na história de escravidão e racismo! Não tenho na minha história de branca às pintinhas discriminação nas escolas, trabalho, amigos etc.! É mais fácil para mim não me ofender porque a história e o Homem tendeu durante muito tempo a classificar a raça branca como a elite e nunca como origem de vergonha ou embaraço!

Isso foram outros tempos, outras épocas! Agora as mentalidades são outras e por isso mesmo, fez-me confusão constactar que ainda há pessoas que se recusam a entrar num elevador com alguém que apresenta grande produção e quantidade de melanina (proteína presente na 1ª camada da pele e que lhe dá cor ). É a pele dos negros e mulatos. Que também tem mais mais glândulas sudoríporas e estas causam suor abundante e odor mais concentrado! Ao que correntemente apelidamos de "cheiro a catinga"! Para muitos ainda hoje estes não são pessoas, ou até podem ser mas "diferentes de nós".


O engraçado é que, quando estas peles carregadas de valentes doses de melanina vestem uma bata branca de médicos que salvam a vida de um filho, vestem um fato de advogado que nos defende bem e ganha a causa etc., quando isto acontece, estas pessoas já deixam de ser apenas peles com quantidades exageradas de melanina e passam a ser o que sempre foram: pessoas!


Sofremos de um egoismo enorme cada vez que descriminamos alguém pela sua pele, pela sua etnia, pelo que não tem e preferimos enaltecer e previligiar o Ter/Parecer para desvalorizamos o SER!

Somos todos feitos do mesmo! Com imensas diferenças, com imensos defeitos, com imensas virtudes, culturas e hábitos completamente diferentes, mas somos todos PESSOAS!
Não temos todos que ser os melhores amigos. Não temos todos que conviver uns com os outros porque também nós somos livres de nos identificarmos mais com umas pessoas que outras. De nos conseguirmos entender ou não, com certos costumes e culturas.

Não temos que gostar de todos os seres mas acho que tdeviamos ter todos o respeito e dever de entrar num elevador quer esteja uma pessoa branca às pintas castanhas, preta como o carvão, castanha como o leite de chocolate ou branca como a neve!



Ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor da sua pela, pela sua origem ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." Nelson Mandela

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Vergonha é roubar, ser apanhado e não ter Vergonha!


Este fim de semana fui ao Porto!

Fui com vários pretextos, ver amigos com quem não estava há alguns anos, tentar ver o jogo PortoxSporting com o Manuel e deixá-lo gozar o seu campeonato entre os tripeiros.

Entre noitada, jantaradas, reviver grandes amizades antigas que continuam! Entre tudo isto conseguimos dois bilhetes e dou por mim sentada na bancada central do estádio das Antas a torcer pelo meu Sporting!
Primeira parte do jogo e começo a ouvir os alhos e bogalhos, como se espera ouvir no Norte e penso que só no Norte faz gozo ouvir estes palavrões. Parece que são tão sentidos e pronunciados de uma maneira tão castiça que se tornam engraçados!

Dos alhos e bogalhos passam rapidamente para os assobios ao árbrito!

A minha primeira reacção é ter pena do árbrito e só depois tentar perceber se "roubou" ou não o Porto!
 Se devia ter dado amarelo ou simplesmente marcado falta. Pouco percebo de futebol, gosto do ambiente, dos gritos, dos cânticos, dos animos exaltados, dos saltos e gritos de goooolo! Gozei aquele momento, mesmo sendo sportinguista gostei de ver o Manuel e todos os Portistas festejarem, porque afinal eu gosto é de festa!

Mas não conseguia deixar de pensar que realmente não é só no futebol que os nossos são roubados!
Infelizmente nas nossas vidas, deparamo-nos com alguns árbritos! Infelizmente passam por nós árbritos pouco dignos e sem valores que sem desconfiarmos se vão apoderando do que é nosso e a olhos vistos!

Talvez por estes terem entrado nas nossas vidas por alguma razão. Por alguma razão partilharem estádios, jogos, vitórias e perdas connosco acabamos por não abrir os olhos e nos deixarmos andar. Às vezes preferimos não ver, ou fingir que não vemos, a confrontar um árbrito amigo!
Quando não se conhece o árbrito é fácil explodir, tomar uma atitude, comentar, processar, responder a ameaças e enfrentar as coisas!

Quando o árbrito está tão próximo é complicado, é mais um derby dificil de jogar em que certamente um resultado é certo: uma das equipas assume não querer jogar mais jogos com este árbrito! Uma equipa não gosta de ameaças e opta por jogar noutro campeonato!
Num campeonato onde pode confiar nas pessoas sem correr riscos menos dignos! Num campeonato onde as pessoas, se roubam, têm vergonha em ser apanhadas! Demoram tempo a adormecer todas as noites...discutir com a consciência dá insónias!

Lembro-me de em miúda com uma amiga termos roubado um baton de cor branca num hipermercado!
Lembro-me como se fosse hoje! De sermos gaiatas sempre a querer fazer asneiras e pisar o risco!
De querermos o que não nos era permitido! Recordo-me bem da sensação de borboletas na barriga quando passámos pela caixa registadora. O risco de sermos apanhadas e da vergonha que seria sermos apanhadas! Mas também me lembro da vergonha que foi quando me fui confessar deste roubo e das muitas Avé Marias que tive que rezar! É horrivel ter vergonha e pior que a ter, admiti-la! E que vergonha tive!


Nunca me passou pela cabeça ser apanhada a fazer uma asneira e não ter vergonha! Ser apanhada com alguma coisa que não me pertence e não sentir vergonha, não pedir desculpa, não admitir o erro, ignorar o pecado. Acredito que podemos fazer coisas terríveis mas não é por isso que somos pessoas terríveis!



O que nos poderá tornar terríveis é a titude à posteriori! É o parar ou repetir! É o assumir a atitude, o pecado ou persistir em desavergonhadamente continuar e tentar camuflar o que se fez!
O que deixa de ser uma atitude repugnante e torna sim a pessoa repugnante, é a falta de carácter, é a falta de respeito e honestidade com que se encara o acto feito! O que torna quem o faz uma pessoa repugnante é a falta de vergonha em roubar e ser apanhado!


Roubei aquele baton e ficou-me bem registado na memória porque sei que foi incorrecto! Sei que era uma miúda e agradeço por o ter feito ainda em miúda, quando apenas o fazemos por diversão, estupidez e adrenalina. Agradeço por o ter feito e não ter gostado! Agradeço a vergonha que senti quando me confessei e talvez por isso ainda hoje tenha tão viva essa memória!
Infelizmente muitas pessoas não roubaram apenas em crianças, não aprenderam a ter vergonha ainda em pequenas e agora, já grandes, já crescidas vivem neste mundo de usufruir do que não lhes pertence, gostam de o fazer, são apanhadas e descaradamente não têm vergonha!

Os erros fazem parte do crescimento e amadurecimento! Não me orgulho deles mas tento aprender e tornar-me mais forte com eles! Enquanto assim for, é sinal que ainda tenho carácter, ainda choro, ainda riu, ainda me estou a conhecer e ainda tenho vergonha de muita coisa! Ainda respeito os outros e sei que roubar é errado!Errar e persistir no erro não é burrice, é estupidez gratuita e às toneladas!


Não sou perfeita nem o pretendo ser porque a meu ver, a vida para ser sentida e disfrutada implica um renascer constante, um voltar ao principio e  aí já com algumas bases recomeçar a tentar chegar à quase perfeição novamente! Procurar a quase perfeição, implica crescer, subir degraus, chegar ao topo mas voltar a ceder e se preciso descer uns quantos!

" Quem nunca caiu não tem bem a noção do esforço que é preciso para se manter de pé." Multatuli


Estamos cá para esse renascer e Graças a Deus contamos com os nossos grandes e bons amigos para nos acompanharem nas subidas e descidas! Graças a Deus ainda podemos escolher quem queremos ter por perto e afastar os árbritos que nos vão aparecendo no caminho e nos roubam e fazem desperdisar, entre outras coisas, o nosso tempo!

Em míuda fiquei com uma coisa que não me pertencia, não fui apanhada mas tive vergonha! Não devolvi o baton e nem dei conhecimento ao hipermercado que o fiz mas admito o erro e não o exalto dentro de mim! O erro sou eu e antes de tudo eu tenho que realizar que errei, envergonhar-me e pedir desculpa, que no meu caso foi a Deus!

Não há nada pior do que perdermos a nossa dignidade, essa ninguém nos rouba, somos nós que optamos por a construír ou destruír!
Como Gandhi escreveu, "A dignidade pessoal e a honra não podem ser protegidas por outros. Devem ser zeladas pelo individuo em particular".
Somos nós que com um passo atrás de arrependimento, tornamos possivel conseguirmos no futuro dar um passo digno em frente e devagarinho e com calma irmos subindo.
Ou pelo contrário, podemos iludirmo-nos, tentar iludir os que nos rodeiam com a ideia de que continuamos sempre a subir e subir e que ficticiamente já estamos no topo! Lá bem em cima de tudo e todos, onde os valores são facilmente esquecidos e vendidos por outras necessidades!


Ter vergonha é sinal que ainda nos respeitamos, ainda respeitamos os outros e temos os valores num lugar que nos impedem de roubar a liberdade dos outros!

Consigo perdoar e ser amiga de alguém que já me roubou mas não consigo entrar na hipocrisia de trocar mais do que duas palavras de conversa com alguém que o fez e não admite!

(Não tenhas medo de mim, não sou uma ameaça, não sou a consciência de ninguém e o meu clube este ano ainda nem ganhou nada. Basta-me a minha consciência para me entreter... Se a tua está de férias, limita-te a respeitar as pessoas que ainda se esforçam por ter a delas a trabalhar todos os dias e, se conseguires...experimenta o que é ter um bocadinho de vergonha!
Não ameaces o meu clube como defesa das tuas falhas! Talvez o tenhas feito, com receio que os meus valores e atitudes fossem iguais aos teus...mas descansa, não corres esse risco, são diferentes!
Podes ser árbrito nos jogos que crias e nesses talvez haja tempo para histórias e muita imaginação, eu estou fora dessas tuas quatro linhas!
Não porque o meu clube assim me incutiu, mas porque e como já escrevi, o que adoro no futebol é a festa, a animação, os gritos e com árbritos assim a festa é estragada! É uma festa que não dignifica os clubes, jogadores e adeptos e por isso prefiro ir gozar outras festas, noutras quatro linhas mais reais! )

Rezo por todos aqueles que têm a necessidade de roubar para alimentar os seus filhos! Rezo pelos que não têm pão e água na mesa e que por isso o que está na mesa dos outros se torna um alvo apelativo, fácil e  rápido de "adquirir"!

Tenho pena dos que tendo tudo isto em casa roubam para ainda terem mais!

No final de contas não passarão de supostos fidalgos ajoelhados perante lavradores que de pé são bem maiores que eles!






quarta-feira, 18 de abril de 2012

Para a minha Grande Pequenina!

Parabéns minha grande Pequenina!

Não fazes anos hoje mas quero-te dar os Parabéns pelo que és! Pela enorme força que vais descobrir e sugar algures! Por cantares quando o que te mais apetece é chorar baixinho e trocar a voz bonita e afinada por gritos desalmados e angustiados! 
Por esse coração tão grande e forte tornar os nossos pequenos e a tua voz solene nos fazer cair, não uma, mas várias lágrimas! 
Essa voz tão estonteante que nos faz viajar e criar a ilusão que estamos numa Catedral e que cada silaba tão bem pronunciada e tão sentida, voa e chega a todos os cantos mais recatados e altos desta Igreja! No meio de tanta grandeza nada fica vazio, nada por mais pequeno que seja escapa ao toque suave e denso da tua voz, minha pequenina!

Parabéns pelo teu poderoso coração, pelo teu sorriso esplendoroso e cativante! Os teus olhos castanhos, únicos e especiais que tantas vezes servem de desculpa para te acompanharmos de braço dado! Porque apetece andar de braço dado contigo! Estar perto para te ouvir gracejar alguma coisa, estar ali ao teu lado, junto da tua ternura, vale a pena! 

Vale a pena ver-te ser feliz com as mais simples coisas da vida e por outro lado dares tanto de ti! Vale a pena ter orgulho da grande pedra que tens ao teu lado! Sempre pronto a ser o teu apoio, a ser os teus olhos e a guiar o teu caminhar! A ser a origem e causa do teu sorriso ou irritação! Vale a pena poder gozar e sentir a vossa cumplicidade e ver que ao som da tua voz a pedra consegue mostrar o que realmente é, um diamante!

Um diamante que também ele consegue ser forte tal pedra enorme de Monsanto, para te proteger do que possa vir de frente para ti! Do que inesperadamente já veio...
Essa pedra que tantas vezes é o teu escudo e protecção! 

Minha pequenina és valente! Sem te dares conta, uma guerreira! Tens um óptimo ninho, também ele forte e bem construído que não te permite cair!

Só aos meus olhos e ao meu lado és Pequenina porque por dentro és magnifica! 

Partilhamos o mesmo nome mas és tão maior que eu! És a minha pequenina e eu uma grande fã tua sempre pronta a dar-te uma salva de palmas! 

Estou aqui! :)



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mais vale aprender que persistir e remediar!

Há alguns anos atrás, depois de uma grande festa de despedida de um amigo que terminado o curso foi viajar pelo mundo fora, uma amiga minha e eu resolvemos regressar a Lisboa do Estoril!
Foi uma noite animada, com caipiroscas e muita dança! Achámos que entre a "animação" das duas talvez eu estivesse "melhor" para guiar...

O acordar do dia seguinte em casa foi normal!
Começámos a falar da noite e apercebo-me que me lembrava de tudo lindamente até porque não tinham sido tantas caipiroscas! Lembrava-me lindamente de tudo, menos da viagem de carro para casa! Lembro-me ainda hoje de entrar no carro, de ser eu a condutora! De estarmos a chegar a casa! O percurso pela A5 até chegarmos a casa? Tenho imagens vagas! Imagens e cenas minhas a guiar mas não tenho a lembrança de ter a total consciência do que estava a fazer!

Esta falta de lembrança, este nevoeiro cerrado na minha memória deixou-me aterrorizada!
Não conseguia deixar de ter uma sensação estranha! Como é que podia eu, não me lembrar de uma viagem de carro? Como é que não me conseguia lembrar que arranquei, pus mudanças, acelerai, travei, ultrapassei e estacionei!?!?!? PÂNICO! MEDO! TERROR!

Odiei a experiência, odiei a sensação e ainda hoje ao falar e escrever obre isto sinto-me estúpida e ridícula!
Ridícula por me ter posto naquela situação! Às vezes conseguimos ser burros, egoístas e ter um  desrespeito descarado e falta de vergonha enorme por nós e pelos outros!

Ridicularizamos a nossa dignidade e respeito por aquilo que nos dá forma e sentido, a vida!

Tomamos a liberdade de sermos instrumento ameaçador da nossa vida e da vida dos outros!
Corremos o risco de terminar com a nossa liberdade e com a dos outros!  De tantas outras coisas e nenhuma delas positiva...Corremos o risco consciente de perdermos a nossa qualidade de vida! Desafiamos as leis da vida desnecessariamente e muitas vezes com os que mais amamos ao nosso lado, no nosso carro!

A vida já é tão insegura e frágil! Já sóbrios e em estado legal para conduzir acontecem tantos acidentes inesperados, tantos choques e desastres! Já temos os cancros, tumores, catástrofes naturais e tantas outras partidas no caminho, para quê sermos nós próprios a pormos mais uma?

Chega mesmo a ser falta de dignidade, falta de dignidade por nós, pelos outros e principalmente pela Vida! Quantas e quantas pessoas não davam tudo para ter os que já partiram ao seu lado? Com que direito é que nos colocamos na posição de a desperdiçar e arriscar brincar com a dos outros?!
Infelizmente famílias são destruídas, de quatro rodas há quem passe a andar em duas! Infelizmente tudo o que transmite calma e serenidade, tudo o que permite encontrar tranquilidade desaparece e dá lugar ao desanimo, tristeza, peso na consciência, insegurança e remorso!

Antes de entrarmos num carro depois de uma noite de copos, depois de dançarmos e nos divertirmos temos que ter respeito por todos aqueles que também o fizeram e nos consideraram! Por todos aqueles que por respeito a eles e a todos os que andam na estrada não conduziram alcoolizados!

Antes de dizermos que estamos bem e não faz mal, antes de perguntarmos aos amigos se há policia no caminho, convém ganharmos consciência de que realmente os azares acontecem e a tendência é para serem mais frequentes que as sortes! Os azares deixam de o ser quando os procuramos demasiadas vezes! Quando os tratamos constantemente por tu, os azares passam a ser comportamentos e os comportamentos têm causas e os efeitos exigem responsabilidade!


Rezo por todas as famílias que perderam alguém devido a condutores com álcool!
Agradeço por há uns anos ter chegado viva a casa sem ter magoado alguém no caminho! Agradeço não ter sido preciso mais do que um nevoeiro na minha memória para me aperceber do quão grave é guiar simplesmente "alegre"! 


Peço a Nossa Senhora por todos aqueles que já tendo sido apanhados, já tendo tido acidentes e com eles a enorme sorte de estarem bem, continuam a achar que que são senhores e donos das estradas e das vidas que nelas andam! Rezo para que não seja preciso mais do que isso para perceberem e mudarem...

Peço a todos que tenham atenção! Não esperem que vos aconteça ou aconteça a alguém perto de vocês para começarem respeitarem os outros, para se revoltarem com a falta deles!
Há coisas que não conseguimos remendar...há coisas que nos ultrapassam e das quais nem o arrependimento atenua as consequências! Mas há coisas que podemos evitar, conduzir sem estar alcoolizado depende pura e simplesmente de cada um!


A vida é complexa, divertida, bonita, espectacular e mil adjectivos teria aqui para a exaltar e descrever mas ao mesmo tempo consegue ser  frágil e surpreendente, para quê testá-la?

Aproveitemos e gozemos a vida e que nesse gozo, não sejamos nós a causa impeditiva de outros a gozarem também na sua plenitude! ;)



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Se estas ruas fossem minhas...


Ontem pela primeira vez fui a pé para casa...

Gosto de andar a pé, sempre gostei! Lembro-me de estar no meu quarto e quando o tempo não permitia que o fizesse pela quinta, ouvia as passadas do meu avô a percorrer o corredor de casa de um lado para o outro como forma de exercício! 
Gosto de andar a pé, observar e absorver aquilo que as ruas nos transmitem! Os cheiros, os sons, o rebuliço, o espanto e admiração de ver passar uma pessoa bonita, o consolo de ver dois velhinhos de mãos dadas e lentamente a caminhar!
Gosto de tentar perceber o que vai na alma de cada um! Deparar-me com centenas de vidas completamente diferentes e deliciar-me com a ideia de que o tempo é o mesmo mas diferente para todos! O nosso agora está a ser vivido por milhões de outras pessoas e das mais diversas maneiras!
Gosto de ver o rapaz que vai pendurado no eléctrico e a senhora que mais à frente grita porque ele lhe roubou a carteira!
Adoro ver os sorrisos e olhos apaixonados que nos transmitem as borboletas que levam na barriga de paixão e nervosismo!  Uns falam sozinhos entre trapos e sujidade, resultado da solidão e de tratarem a rua todos os dias, horas e minutos por tu!


Gosto de ver as pessoas que arriscam em passar  a passadeira com o sinal encarnado para os peões! Espreito curiosa a reacção de quem está no carro! Uns percebem, outros apitam e outros aceleram! Gosto de quem arrisca mas não gosto quando sou eu no carro e tenho pressa!

A vida tem sempre não dois lados mas vários lados! Em cada lado, várias variáveis e pressupostos! O que os meus olhos vêem não é o que a pessoa que está ao meu lado vê! O que os meus olhos vêem em conjunto com o que o meu coração lhes diz é diferente do que os olhos da miúda sentada no café vêem, porque somos diferentes, porque a nossa alma é diferente! 
É o que gosto de ver e sentir nas ruas, ter a possibilidade de me cruzar com tantas almas diferentes! 

Percorri a Almirante Reis... Ainda ia a meio e já estava farta, que avenida tão grande! Relembrou-me a sensação das peregrinações quando no caminho nos deparávamos com uma recta enorme e que o fim parecia nunca mais chegar...Desmoralizava as pernas e os pés já com borbulhas!

Esta avenida é o oposto da Avenida da Liberdade que tinha percorrido de manhã! A Almirante Reis tem tudo menos reis! As pessoas que lá se passeiam dão a ideia de que anseiam e procuram a liberdade! Talvez não a encontrem, talvez nem a tenham e consigam da melhor maneira, têm um olhar limitado e gasto!
Facilmente nos apercebemos que ali muito corpo já não tem essência, é apenas objecto! Objecto de uma suposta liberdade!Ali as rainhas ganham a sua liberdade com o corpo, os sem abrigo sentam-se e deixam-se cair num antigo Chafariz já sem água! Ali existe de tudo até o Look Obama! Cabeleireiro muito particular que me chamou atenção não pela publicidade mas pela música e ambiente que lá se vivia! Achei engraçado!
Mais à frente, pessoas cheias de liberdade enchem o Ramiro e acredito que aqueles camarões façam os sonhos dos residentes da rua dos reis! A mim abriram-me o apetite e a vontade de entrar!

Agarro melhor a minha carteira e continuo a andar, continuo a ver pessoas de todo o tipo, sobem, descem e atravessam aquela rua. Passo por uma senhora, parece ter os seus quarenta anos mas de certeza que muitos são falsos e excessivos! O peso da rua encarregou-se de lhe dar mais rugas e olheiras! Chora desalmada e compulsivamente! Perto dela sai outra senhora que passa por mim e também ela chora! Comovo-me!
 Ao chegar mais perto desta tristeza, com uma festinha no ombro, pergunto-lhe se se passa alguma coisa? O choro aumenta como uma torneira de água aberta para um banho de imersão! Diz-me que não foi nada! Decido continuar o meu caminho! Aquela grande avenida ainda me é muito estranha e eu para ela sOU apenas mais uma que por ali caminha...
Fico a pensar na razão daquele choro, deduzo que pelo aspecto que a rua lhe deu seria uma mulher da vida, continuo a pensar o que teria acontecido e enquando penso em tudo isto chego ao Martim Moniz! 

Mete um bocadinho de respeito! Segurei ainda melhor na carteira e atravessei o largo em direcção à rua da Madalena! Imagino as vezes que noutros países também eu sem saber e como turista fui parar a sítios como este, onde as carteiras se vão e não voltam! Fico com pena dos turistas que por ali passarem ou pernoitarem! Fico com pena de tanto que se podia ter, fazer e viver ali!

Ai se estas ruas fossem minhas...

Ansiava por chegar a casa e descansar as pernas, ver o azul do rio...entro na rua da Madalena, começo a ir por outras ruas até à Sé e as pernas ganham alento! :)

Aqui o caminhar já foi diferente :) ! Já começava a admirar as ruas, os prédios antigos, os restaurantes giros, as lojas diferentes! Os turistas a passearem e eu tão parecida com eles! As escadinhas e largos! O sentir que já não estou numa grande avenida começo a entrar nas ruas do meu bairro! Vasos com flores nas janelas, cantinhos e recantos amorosos! Pedras com história e em muitas a história das pedras!
Apanho uma centena de caloiros que com os seus morcegos vão na mesma direcção que eu, a Sé! 

Passo a Sé e entro na última rua que vai dar à nossa Travessa! A rua que vai dar à entrada de trás de nossa casa! Lamento não ter comigo a máquina fotográfica! Vou piscando os olhos como se estes fotografassem as imagens que via!
Deixo-me maravilhar pelas laranjeiras no passeio que acompanham as paredes da Sé!
O céu meio cinzento e enevoado não é o melhor mas mesmo assim adoro a vista, o ambiente! 
Continuo a descer e volto a ver a Pizzaria Esperança já cheia de velas acesas nas mesas, passo pelo café Pois É, cheio de pessoas e ouço risos, gargalhadas, histórias a serem contadas! Sinto Vida!
As casas de fado já de portas abertas e a mercearia antiga prestes a fechar as portas!
 As ruas tanto cheiram a Lisboa como me fazem sentir que não estou em Portugal, que estou num cantinho amoroso, bonito e puro noutra parte do mundo! Mas é Lisboa e o que de mais bonito  Lisboa tem!



Gostei de sentir que não vivo no meio dos que na rua dos Reis procuram a Liberdade e no Largo onde tudo passa e nada fica! Gostei de simplesmente passar por eles! Gostei de ver que a minha rua é cuidada, que nela posso respirar paz e tranquilidade, história ainda cuidada e respeitada! :)

Gostei de neste caminho ter ido na companhia Dela e termos conversado tanto!

Cheguei Feliz por termos o nosso cantinho em cima do rio, tão perto de tudo e tão longe do que queremos que seja longe!




terça-feira, 10 de abril de 2012

As leis da vida!!


A vida prega-nos partidas, umas que nos fazem rir outras que nos fazem chorar e perder o ar, como se nos tivessem dado um murro na barriga e a mão continuasse sempre a empurrar e fazer força sem nos deixar respirar!! E quando nos alivia um bocadinho volta outra vez em força!
Foi assim que me senti de há uns dias para cá! Foi assim que me senti quando a vida e as suas leis inesperadamente impediram uma família estar com quem mais adoram! Foi assim que me senti quando me apercebi que a vida retirou em segundos a possibilidade de uma família voltar a ouvir o bater de uma porta a abrir e ouvirem o pai entrar! Senti esse murro no estômago quando realizei que já não iam ouvir essa voz pela casa, já não iam ter o abraço, o beijinho e tudo o que se pode ter e dar a quem amamos!
Faz-nos parar e tremer dos pés à cabeça, não conseguir dormir e quando os olhos se fecham já queremos que eles se abram para podermos ir dar mimos, uma mão amiga, um olhar cheio de força a quem realmente precisa! Adormecemos com um sentimento de impotência por tentarmos consular o que é inconsolável!
Sentir que realmente nem Deus nem ninguém controla as leis da vida cria uma certa revolta, um certo medo e muita insegurança!
Por muito que gritemos, por muito que choremos a vida é tramada e põe-nos à prova das mais diversas e inesperadas maneiras! A vida brinca connosco e aquilo que hoje temos como certo e garantido num ápice deixa de existir! O amanhã deixa de ser um dia no calendário e passa a ser um ponto de interrogação e todos os outros dias reticências!
Custa respirar e engolir, custa perceber o que não tem nem terá explicação! Custa encarar a realidade! As palavras do Padre Miguel chegaram-me ao coração! Tudo é injusto e nestas alturas há revolta, há discussões, há desespero, há incompreensão! Porque ninguém merece, ninguém quer, ninguém espera uma coisa destas!
Há que ter Fé, há que ter Fé e acreditar que temos sempre um Amigo connosco! Acreditar que Deus não dispõe das nossas vidas, não decide dar vida e dar morte! Deus também se revolta com estas perdas, Deus também chora com o sofrimento de todos! Sobretudo Deus é um amigo! Um amigo que através dos que nos deixam fica mais próximo de nós!

Talvez por isso acredite e sinta que quem nos deixa se torna mais um anjo que nos guarda!  É um amigo que por estar tão próximo de Deus se torna um anjo e por nos amar tanto não nos larga dia e noite! De uma maneira pacata e banal, é como se fosse nosso correio expresso, a nossa cunha para chegar a Deus! É alguém que de tão perto que está D'Ele Lhe faz chegar os nossos pedidos e Graças de uma maneira especial e próxima! Alguém que uns dias vamos sentir que se ri de nós lá bem longe e noutros dias nos vai parecer que o ouvimos sussurrar ao nosso ouvido! 
Acredito que Deus vai chegar aos corações que tem que chegar, vai enche-los de força, de fé e esperança! Já o está a fazer sem darmos conta! Já está em cada amigo da família que os ampara, que os leva ao colo! Que lhes dá um mimo e um abraço! Que conta uma história, que chora com o sofrimento deles, que lhes dá o espaço necessário mas que também entra nele para quebrar o silêncio, para quebrar a falta da voz rouca e gargalhadas!
Não há maior bênção que estarmos vivos, que podermos gozar o que a vida nos oferece e sem dúvida que não há nada melhor que os amigos! A Família não escolhemos, nasce connosco porque assim o é, porque alguma lei na vida assim quis que fosse! Os amigos vão surgindo nas nossas vidas, uns entram e saem! Outros ficam e permanecem porque assim o queremos e outros são uma desilusão! Mas aqueles que escolhemos e que simultaneamente temos a sorte que nos escolham a nós também, são uma dádiva! Os amigos são aqueles que quando é difícil acordar, quando é difícil acreditar, estão lá! São o nosso despertador para a vida e o chá de Noite Tranquila que nos adormece! A nossa maior força e apoio!
Acredito que com a ajuda do maior amigo de todos, Deus e com a ajuda de todos os outros tudo se simplifica, o renascer é mais suave e ténue! 
Quem tem amigos, se não tem tudo...tem quase tudo! E esta família tem uma boa dose deles!
Peço a Nossa Senhora para acompanhar todas as famílias e em especial esta, a quem a vida vai pregando estas partidas tão violentas e difíceis de aceitar! Peço por todas e para que todas tenham a sorte de ter amigos! Para que todas consigam ter Esperança no destino e devagarinho de colo em colo, deixarem de sentir o murro na barriga!
ESTAMOS CÁ!