segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Conheço-te ou Amigo-te?

Em pequenos entramos na escola, apresentam-nos e obrigam-nos a estar na mesma sala com outros pequenos como nós.
Desses pequenos alguns gozam connosco, uns partilham o lanche e são poucos os que nos dão a mão!
Os anos passam, as noitadas começam, o tabaco experimenta-se, dão-se os primeiros beijos começam as curtes e namoricos.
Muitos vão oferecer copos, outros dançar e são alguns os que vão dar a mão na ressaca!
Cursos terminam, horas a fios de trabalho começam e os namoricos passam a ser namoros.
Alguns acompanham, outros afastam-se e são poucos aqueles que quando realmente é preciso estão lá! Não vão apenas, estão!
Surgem anéis, casamentos e bebés.
Ficam por perto os que já quase são família. 
São poucos? São muitos?
Sem dúvida que serão os que encherem os corações de alegria, que aliviem as dores e problemas e não serão causa destas. Serão os que viverem como amigos e não se sintam baralhados entre o: conheço-te ou amigo-te?
Entre os dedos das mãos passarão aqueles que apenas brincaram e gozaram em pequenos, ofereceram copos em idade de experimentar tabaco e dançaram entre músicas, tal e qual como estiveram nos momentos cruciais, ao de leve e de passagem.

Conhecidos? Amigos?
Conhecidos, sem dúvida que todos temos muitos e ainda bem! 
É  bom e divertido conhecer pessoas, aumentam-nos a alma, altera e melhora o dia-a-dia!
Amigos, alguns e certamente os melhores!
É extraordinário cativar e deixarmo-nos cativar por conhecidos que se tornam amigos. 
Amigos que nos preenchem a alma, nos libertam e dão vida! 

Conheço-te ou Amigo-te?

Na incerteza do que já fomos, somos ou seremos, a vida tão querida vai-nos mostrando a diferença!








quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Quase 365 dias de 2013!




2013!

Trouxe com ele marcas de 2012 que fizeram moça mas que ao fim de algum tempo foram como o cimento, permite que o pisemos e deixemos a nossa marca mas depois de seco e solidificado bem que o podemos pisar, colocar as mãos com força como se fossemos estrelas no passeio da fama que já não há nada a deixar a não ser a nossa passagem.
2013 aprendeu com 2012 e ensinou-me que tudo o que não é realmente importante não merece deixar marca e as que por engano ficam vão sendo remediadas. Na nossa estrada podem passar muitas pessoas mas felizmente ainda podemos escolher as que seguem o mesmo caminho.
Neste ano fui caminhando, entrei no mundo do desenvolvimento dos recursos humanos e abracei novos projetos.
Mudámos de casa, ganhámos novos e bons vizinhos, uma praça cheia de flores e a Assembleia para o Raposo passear e deixar o seu “voto”.
Foi um ano inacreditavelmente bom, sem dormidas em hospitais e poucas idas a médicos!
Um livro que me fez iniciar uma viagem a um passado repleto de memórias começou a ser feito.
Amigos casaram outros ficaram noivos, nós estamos noivos!
O céu ganhou mais anjos e todos eles chegam a nós através de abraços confortantes pelos que temos perto.
No rebuliço do caminho foram-se perdendo amizades, outras nasceram e as justas reforçaram-se.
A amiga, há demasiados anos emigra regressou com a família e o novo membro. As afilhadas começaram a ter filhos queridos e apetitosos.
Conversas em tempos perdidas foram reencontradas, sentimentos esquecidos estão agora reacendidos.
Dancei muito com o Manuel e quase todos os dias demos gargalhadas um com o outro!
Falhei a algumas pessoas e nem sempre tive a capacidade de perdoar e saber pedir perdão.
No fim de tudo, resumindo e baralhando nestes quase 365 dias de 2013 acho que consegui ser mais que menos e o saldo é positivo!
Obrigada a todos os que em 2013 fizeram a Tikiti feliz tantas vezes!


Para o Novo Ano que aí vem desejo essencialmente saúde para gozar a vida, amar, cantar muitas vezes em modo “Ni ná ni ná”, estar com todos os que gosto e festejar a vida todos os dias a sorrir! 

Já a minha querida avó Zé dizia "Para trás mija a burra e para a frente é que é o caminho!", VENHA daí o 2014! :)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Pequenos Milagres!



Desde o pouco tempo que passou desde que o Manuel e eu ficámos noivos tenho tido a sorte de sentir perto de mim aqueles que mais adoro!
Sempre pressenti que nesta altura tão especial iria sentir ainda mais falta dos meus pais e o desejo da presença da minha avó junto do meu avô.Admito a nostalgia e não nego que esta fase me tem feito chorar de felicidade e emoção por todas as vezes que tenho tido pequenos milagres vindos de pessoas tão próximas! Milagres que fazem chegar a mim aqueles que tantas saudades tenho e me tocam diretamente no coração através de gestos tão puros e bonitos de cada um de vocês!

Desde o vestido escolhido na primeira prova passados apenas dias de ter o anel no dedo! Nesse dia fui com duas amigas a uma loja e levei comigo uma camisola e lenço da minha avó. 
Experimentei sete vestidos e odiei todos! Modelo A, forma de sereia, decote em V, cintura descaída, tecido assim, véu assado e nenhum deles me ficava bem! Disfarçadamente comecei a sentir uma irritação e tristeza, a achar que não tinha perfil para noiva e não ficava bem com nenhum modelo!
Nesta altura chegou uma tia, a melhor amiga da minha mãe e o vestido apareceu! Não foi um vestido que até gostei e em que mudava isto aqui e acrescentava outra coisa acolá! Apareceu o vestido em que tudo nele gostei e nada alterava! J Chorei de emoção, alegria ou simplesmente estupidez por gostar de me ver naquele que vai ser o meu vestido!
Não consigo explicar, ou dizer sem que pareça ridícula mas sinto que naquele momento se juntaram ali as minhas mãezinhas e com um toque de varinha mágica transformaram a Ticas Borralheira em Princesinha! Foi assim que me senti, uma princesinha pegada ao colo pelas que a amam!
Desde aí,  várias pessoas têm pegado na varinha mágica e têm feito magia comigo e posto o meu coração num rebuliço tão bom e cheio de alegria que em tão pouco tempo foram muitas as vezes em que chorei de felicidade!
Obrigada a todos os que nestes dias têm sido tão queridos, têm sido tão meus pais e mãezinhas e de uma forma tão genuína e simples preenchem um vazio tão grande!

Estou muito feliz e cheia de vontade de repetir na presença de todos que Sim, quero fazer o Manuel feliz o resto da vida e que juntos sejamos os dois mais e melhor!
Sim, é bom ter tantas fadas/os com varinhas mágicas perto de mim e sem vocês o Manuel nunca me teria tão feliz!


OBRIGADA a todos do fundo do coração! É bom tê-los comigo e através de vocês viver os pequenos milagres que fazem com que sinta os meus anjinhos perto de mim! :)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Até lá, adoro-te!

Oficinas de Escrita de Manuela Gonzaga: “Se tivessem um correio para o passado, uma espécie de DHL de custo zero, a quem enviariam a vossa carta? A quem escreveriam as palavras 'que sempre te quis dizer'? Pensem nisso. É por ai que caminham agora, as e os nossos oficiantes.


Segui a dica e escolhi escrever-te a ti! 

A ti que me adoras desde pequena e que entre olhares franzidos e duros lanças sorrisos matreiros e ternurentos.
Sei que me adoras e amares-me seria complicado.
Amar não é simples, não se impõe ou se sente porque sim. Amar é tão complexo que temos que nos desprender de uma imensidão de coisas, e tu ainda não o fizeste.
Adoras-me por tantas razões mas nunca me chegaste a amar.
Quem ama preocupa-se, cuida, protege e isso tu tens feito! 
Quem ama pergunta, interessa-se, deixa cair feitios para chegar perto e estar presente, e isso é complicado para ti.
Talvez me tenhas amado à distância entre silêncios e pensamentos. O nunca saber o que esperar, se um sorriso ou cara feia, desviaram os nossos caminhos.
Quando estás disposto a dar mais de ti damo-nos lindamente e somos Sol e Girassol! As vezes em que desde miúda quebrava o gelo do teu feitio davam-me gozo e o meu coração sorria e rejubilava por achar que tinha tocado no teu. Por instantes o escudo de ferro derretia-se e sentia o melhor de ti a chegar a mim!
Hoje não sinto esse gozo porque cresci e mesmo que não o queiras ver, já não sou “a miúda” que de tudo fazia para te retirar a máscara. A alegria quando por acaso estamos juntos tem de ser espontânea e não sugada.
Tenho receio que mergulhes no teu silêncio doloroso e talvez por isso não partilhe contigo tudo o que gostaria de te dar a conhecer! 
Somos muitíssimo amigos e mesmo há distância e de tempos em tempos, contamos segredos, trocamos lágrimas nas alturas mais difíceis e procuramos conforto em palavras escritas. O que temos que dizer, dizemos! As mágoas que temos pelo passado ainda estão por ser lidas.
Acho que me adoras! Percebo que o faças de uma maneira muito própria e distante mas não peças que o meu coração compreenda algumas falhas que o teu também grava.
Estás em mim, fazes parte da minha vida e cada vez que os que te são próximos te atraiçoam entre jantares e almoçaradas que ofereces, não leves a mal mas viro leoa porque ao contrário deles, de ti nunca esperei um Judas, apenas um coração envergonhado com amor suficiente para abraçar o mundo!

Não te amo, adoro-te! Adoro-te por tudo!

E se um dia criarem um livro de instruções para cada um de nós, sou a primeira na fila para comprar o teu, e aí, talvez a nossa adoração flua facilmente! 
Aí, talvez troquemos as mensagens escritas por abraços e mimos.

Até lá,

ADORO-TE!

Ps: este texto não é para o meu Manuel, a ele não me fico pelo Adorar ;)


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Memórias de Infância!







Nas oficinas de Escrita tive de escrever sobre as minhas memórias de infância! Entre, escrevo ou não escrevo? Aconteceu mesmo ou serão partidas da minha memória? Apetece-me fazer essa viagem tão profunda ao meu eu? Serei suficientemente "crescida" para escrever sobre partes da minha criancice? 


Nunca pensei que fosse tão difícil escrever sobre mim. Deixar preto no branco, sem floreados e personagens, a minha origem, a complexidade das minhas memórias de infância, a base do que sou hoje. Não me darei a conhecer na totalidade e nem mesmo todas as minhas memórias de infância porque nem todas estão devidamente relembradas e trabalhadas no meu íntimo ao ponto de as transpor e escrever. Nem darei a conhecer todas, não por vergonha, mas pelo medo de não as conseguir dignificar e homenagear como pretendo. Como recordo. 


Irei sim, dar a conhecer uma pequena parte do que tanto procuro amarrar e colar no coração todos os dias, com medo que se perca. As memórias da minha infância até aos cinco anos. A recordação dos que me trouxeram a este mundo até ao dia que fiquei sem eles! 




Ticas Graciosa! Alcunha adoptada pela minha irmã mais velha em troca do meu nome de batismo, Maria Teresa. Depois, fui-me apercebendo da existência do nome de família “Graciosa”, pelas vezes em que tias me agarravam as bochechas sardentas e me diziam que só podia ser Graciosa! E assim fiquei até hoje, a Ticas Graciosa para os amigos. 
Os meus pais morreram quando eu tinha apenas cinco anos. Nessa altura, vi-me obrigada a trocar o ar seco e a paisagem vasta e agreste da Beira Baixa em tons amarelados, recheada de magníficos penedos e imponentes sobreiros, pelo clima ameno e menos campestre da Beira Litoral, onde fui viver para um palácio cujos muros nem sempre conseguiam esconder outras casas mais pequenas mas dentro da sua beleza ainda me permitia sonhar. Aí, vivíamos num casarão onde podia correr para ir à casa de banho e esconder da minha avó todos os pães que não queira lanchar, até ao dia em que era apanhada e tinha de os comer a todos em sopas de leite, como castigo. Tive a graça de nascer e crescer no seio de uma família enorme que, entre quintas e cavalos, cães e touros, bicicletas e cavalgadas, nos fomos conhecendo, entendendo e entrelaçando! 

Perdi os meus pais mas ganhei uma ligação especial com os avós, tios e primos. Cada um acabou por ter no meu coração um lugar especial. Ainda relembro com prazer quando nos chamavam a mim e à minha irmã, por nesse tempo sermos unha com carne, as “Ticas” ou “As manas catatuas, quem leva uma leva as duas”.  

Os cães eram amigos, sempre tão pacientes, e com eles partilhava em brincadeiras tanto do meu tempo. Agarrava-os, trocava os chupa-chupas, punha-lhes óculos de sol, tirava-lhes os óculos de sol. 
Não tinha problemas com a roupa, se sujava ou não sujava. Lembro-me apenas que brincava despreocupada. 
Rio-me e volto a ter a mesma sensação de medo e borboletas na barriga quando recordo a brincadeira que fazíamos com os primos mais velhos. Corríamos atrás de um pónei no meio da pastagem, até este pelo seu feitio especial se zangar e cavalgar atrás de nós para nos morder. A sensação de ser puxada pela minha prima Maria – mais velha que eu, com a peculiaridade de ter um olho azul e outro verde que me fascinava – ainda hoje se faz sentir.  


Os piqueniques nas pastagens entre os sobreiros com os meus pais e amigos. As correrias e brincadeiras e mais uma vez a sensação de liberdade! 
Os jantares inesperados e preparados em instantes para muitos que, nas noites de verão, se faziam na mesa de pedra comprida em frente à casa grande. Num desses jantares e já depois de escurecer, ao tentar ir buscar fio dental para limpar os dentes, inclinei o armário fino e alto da casa de banho. Sem me aperceber que no topo deste estava um autoclismo de loiça continuei a puxar a gaveta do armário e a peça de loiça foi direta à minha cabeça. Chorei e chorei e, nessa altura, o pátio ainda me pareceu maior! Até conseguir reencontrar, entre a pouca luz e os muitos convidados, o colo, o conforto, os braços da minha mãe estive em pânico! Evidentemente, fui para o hospital, levei dois pontos e chorei imenso. Ao meu lado, estava um rapaz também com os seus cinco anos que enfiara um amendoim numa das narinas e não conseguia retirá-lo! Aquela visão ainda me fez chorar mais e, de barriga para baixo com uma mão dada ao meu pai e a outra à minha mãe, chorei e chorei. A cicatriz mantem-se e quando a sinto é bom relembrar aquelas mãos comigo.

O prazer que me dá relembrar a noite em que, suponho devido ao calor que se faz sentir naquela zona da Beira Baixa no verão, 40ºC, secos e sem qualquer aragem de ar fresco, fui com os meus pais, irmã e mais alguém que não me recordo, colar placards de uma tourada pelas paredes da vila. O cheiro da tinta, a adrenalina de estarmos ali de noite, o vento que apanhávamos na carrinha de caixa aberta, o delírio de estar acordada àquela hora e com os crescidos fora tão intenso que facilmente viajo para essa noite.
E outras, como as noites em que o meu primo José Maria, depois de caçar aparecia em nossa casa. E eu, que já estava na cama, levantava-me para ir espreitar aquele “homem” sentado no nosso sofá com uma faca à cintura. Na altura tinha medo daquela figura e o medo criava-me a curiosidade suficiente para arriscar sair da cama e levar um castigo. 

Da minha mãe, guardo a paciência com que nos vestia de manhã para a escola, as vezes que se agarrou a nós como escudo para nos proteger, as suas gargalhadas e boa disposição. O vestido de fada azul que usei no carnaval e creio que foi cozido por ela. O entusiamo com que assistiu à peça de teatro em que vestida de amarelo fiz de pitinho e ao som da canção:

 “Pintinho pintinho pintinho Piu, 
Subiu numa pedra depois caiu! 
A dona Galinha ficou zangada, 
Pegou no pintinho e deu-lhe uma palmada!”

,apenas tinha de subir uma pedra da calçada colocada no palco e no momento certo cair e levar a palmada da mãe galinha. Mal sabia a galinha que eu, pintinho sardento em palco, não ia gostar de levar uma palmada e em frente à plateia dei uma palmada na mãe galinha. Sei que estava na plateia, não tenho presente a reação mas ainda hoje canto esta música aos mais pequenos, ainda hoje imagino, se como divertida que era sorriu ou se como mãe me ralhou…Guardo um grande amor e principalmente no pouco tempo que teve comigo o quanto me mimou! Não era perfeita e no meio de um rebuliço tão intenso quem se vai aguentando corre o risco de atingir a perfeição ou ser cruxificada pela culpa do vendaval. No meu coração para além das imensas saudades deixou a curiosidade das causas, do que a manteve ali, o espanto do que o amor e medo podem causar. Guardo o seu sorriso e choro disfarçado, as vezes que me deu colo e embalou para que as minhas lágrimas parassem como caem hoje simplesmente por ter saudades de dizer “mãe”! É difícil manter as lembranças, descolar da palavra mãe a figura que tive e relembra-la é tarefa que faço de quando a quando para que nunca seja só e apenas uma figura em fotografias mas permaneça viva pelo que realmente foi e deixou em mim!

O meu pai… Talvez pelo seu temperamento menos constante deixa bastantes silêncios nos meus pensamentos e algumas memórias que preferia que fossem falsas e imaginárias, mas não o são. Aprendi a lidar com elas, percebi que quando se ama não se esquece mas perdoa-se!
Recordo o Natal em que recebi a minha bicicleta azul e branca com rodinhas atrás. Lembro-me de estar no Páteo grande da quinta envolvido pelas casas, picadeiro, boxes para os cavalos e com larga vista para as pastagens repletas de sobreiros com o cabeço em segundo plano recheado de penedos. Foi neste Páteo, onde ainda se conseguia avistar uma das barragens, a mais pequena, que, empurrada e ajudada pelo meu pai dei as primeiras pedaladas na bicicleta que tanto me acompanhou nos anos seguintes onde sem travões desbravava caminhos e acelerava nas corridas entre primos.  

Sentia-me livre naquele ambiente. Os dias passavam-se entre bezerros, passeios a cavalo na Toma, égua do meu pai, tão mansa que nos deixava montar para sermos passeadas sem guia, apenas seguindo a figura dele que caminhava devagar ao lado da sua cabeça. Recordo com carinho e saudade o aconchego de me enroscar à noite no sofá entre os meus pais. A vontade que ainda hoje sinto de voltar atrás para voltar a ser a intrusa entre os dois, naqueles momentos mágicos. Recordo ainda as viagens no Citroen encarnado em que adormecia a ouvir as músicas dos Gipsy Kings. Ao ouvi-las ainda me emociono, talvez porque me trazem um bocadinho deles, talvez porque sei que em tempos as ouvimos todos juntos! 

Uma recordação mais carinhosa traz-me de volta as vezes em que os meus avós iam passar uns dias à Beira Baixa. Nessas alturas, a avó, sempre prática e despachada, contornava-nos os pés numa folha branca com uma caneta, para, da próxima vez que voltasse, nos trazer sapatos. Mal sabíamos então, que poucos anos depois, o destino aproximaria mais ainda os nossos corações e faria com que nos amássemos como mãe e filha.  





Estas e outras lembranças ainda por aprimorar até poderem ser registadas com a dignidade que merecem, são algumas das muitas que a criança que eu fui guarda a sete chaves no segredo do coração. Por agora, deixo aqui algumas. 
Haverá outras, tantas e tantas, das várias fases da minha vida, que serão registadas, talvez em forma de romance, talvez fantasiadas. Para poder introduzir-lhes as presenças maravilhosas das fadas e dos duendes do mundo mágico a que todas, ou pelo menos quase todas, as crianças e adultos têm acesso. 

Caso os duendes não se enquadrem no meu mundo e as fadas percam a varinha mágica, sairá em forma de biografia para dignificar quem amo e, quem sabe, ajudar a que outras crianças possam recordar as suas memórias de infância com os que amam perto! 





quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A minha (vossa) vida dá um livro!


Tenho frequentado as Oficinas de escrita da escritora (tão querida) Manuela Gonzaga. Esta experiência tem ultrapassado a escrita e, sem estar preparada para isso, comecei uma viagem que me tem transportado para dimensões magnifícas e até então desconhecidas. Tenho reavivado memórias, não perdidas mas bem escondidas. Descobri personagens únicas e marcantes. Essencialmente, tenho percebido o quão especial nós somos e a importância que da nossa singular vida, plena de sentimentos e vivências únicas! 
Afinal, somos todos corações com cicatrizes e explosões, com lágrimas de sangue e batimentos de alegria! Temos todos tanto de pó como de pastos verdes e cada coração tem imenso para contar e dar! 

A escrita está a ser feita. A leitura tem sido cada vez mais intensa e atenta para ganhar vocabulário,como nunca o fizera. O desejo de escrever corretamente e dignificar o que o meu coração valente sente é cada vez maior. O pânico da edição dos textos que escrevi num livro está presente e faz-se sentir, nas borboletas que sinto com o medo em fracassar ou desiludir mas que balança com a imensa curiosidade em descobrir a sensação de ter algo meu publicado, palavras minhas que entre textos de outros autores, perdurarão no tempo!
Teremos direito a um lançamento, ao qual ainda me sinto inibida a fazer convites para continuar a vibrar com experiência tão enriquecedora no mundo da escrita e emoções.

Continuo esta viagem que me fez encontrar pessoas espetaculares, com histórias que se cruzam com a minha e me fez perceber que, tal como a de todos, também a minha vida dá um livro! 

Livro, que está a ganhar vida! :)


"Que mais pode ensinar uma Oficina de Escrita? Pelo menos nas que propomos, e acredito que nas outras também, pode ensinar o caminho do coração e o caminho das entranhas, alicerces da imaginação criadora. Seja qual for esse coração e sejam quais forem essas entranhas. Porque é aí que importa ir para recuperar a voz, única, irrepetível, de cada um de nós. 

O resto é trabalho. Trabalho de casa. Trabalho de grupo. Muito, muito e muito. De capacete na cabeça e picareta na mão. A partir pedra, literalmente. Estamos todos tão atulhados de conceitos e preconceitos que chegarmos até nós, dá trabalho. Mas é uma viagem e tanto!!! Caramba, que viagem." Manuela Gonzaga




sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Pé ante pé!

Há um ano decidi começar a aventura de escrever um livro.
Comprei três cadernos em branco e durante algumas semanas escrevi e escrevi.
Apesar de ainda não ter delineado o fim, sempre soube o principio e foi fácil deixar rastos de tinta no papel.
Um dia o meu querido avô sempre interessado pediu-me para ler as primeiras trinta páginas... desde esse dia que bloquei. Começava a escrever e riscava, pensava em todas as frases três vezes e relia tudo vezes sem conta. Escrever tornou-se um esforço e fui deixando de o fazer.
Percebi que tenho pânico de ser avaliada e piora quando o avaliador é aquele que amo!
Conheci em mim o medo de pôr à prova aquilo que faço, dar a alguém a oportunidade de estragar o que nos dá prazer fazer é complicado.
Sei que o meu avô gosta do que escrevo, incentiva-me e sempre foi o primeiro a investir em mim em tudo mas na escrita em especial. Era aos meus avós que desde pequena escrevia para lhes dizer o que sentia e me ia na alma e talvez por isso a fasquia tenha aumentado e os meus dedos bloqueado!

Foram surgindo vários cursos e um deles com um amigo que escreve e tão bem! A vontade de participar sempre fora imensa mas lá voltava o medo, escrever para uma amigo? Dar-me a conhecer da maneira mais pura e intima que consigo - a escrita- não vai ser fácil e mais ainda com um amigo?
Nunca me inscrevi!
Até que há uns dias atrás em que a passear pelo facebook li na página do Manuel Forjaz a sugestão da Oficina de escrita de Manuela Gonzaga em que o tema é "A minha vida dava um livro".
Leio mais e a estrutura é uma viagem por nós mesmos, quem sou eu? que pessoas ao meu redor me marcaram? A minha vida dava um livro! - e não é que o nome do meu blogue está perto?

Pesquisei a escritora, gostei das criticas e cada vez mais me queria inscrever!
Liguei ao meu amigo, pedi-lhe desculpa pela sacanagem de ponderar fazer outro curso que não o dele e entrei na parada!

Comprei o livro "Maria Adelaide Coelho da Cunha: DOIDA NÃO E NÃO"  de Manuela Gonzaga para não ter medo de despir a minha alma e assim levar comigo uma ténue segurança no vago conhecimento de  quem receberá as minhas letras, as minhas palavras, os meus textos tão cheias de coração!

Um dos muitos passos foi agora dado! Um dos vários medos espero que seja ultrapassado!
Pé ante pé vou criando e escrendo o livro, pé ante pé vou-me conhecendo! 

O que é que sentes Ticas?
Borboletas!